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Descoberto atinge 83%, mas ainda não há data para fim do racionamento

Após um ano e três meses, os cortes programados levaram a população a se conscientizar sobre o uso da água. Além do intenso período chuvoso, a redução no consumo fez com que os principais reservatórios da região se recuperassem

Regional

2 semanas atrás
Mesmo após a Barragem do Descoberto ter atingido a marca de 83% do volume útil, o governo prefere esperar a chegada do período da seca para decidir se o racionamento será encerrado. A medição feita ontem demonstrou que falta um metro de altura para o reservatório chegar a 100%, o equivalente a 17%. O de Santa Maria marcou 52,7%. Para tomar a decisão sobre o fim do rodízio, o Executivo local avaliará o uso de água após o fim das chuvas, além de observar a vazão dos afluentes, o consumo e as condições climáticas.
Estimativa da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) aponta que, desde o início dos cortes, decretado em janeiro de 2017 (veja Cronologia), a população reduziu o consumo em 12%. Na casa da servidora pública aposentada Maria Luisa do Nascimento, 55 anos, as crianças aprenderam a economizar. “No banho, a minha sobrinha lembra à mãe dela de que precisa desligar o chuveiro para lavar a cabeça”, conta a moradora do Cruzeiro. Ela comprou dois tambores para captar a água da máquina de lavar. “Uso o que sobra para limpar a varanda e o banheiro e dar descarga. Sempre tive essa consciência, mas o racionamento contribuiu para as pessoas fazerem mais.”
No Guará, Célia Caixeta, 55, também adotou medidas preventivas. Comprou outra caixa-d’água, reduziu a pressão dos registros e adquiriu um galão para aproveitar a água da máquina. “Fica de lição a possibilidade de a gente poder economizar mais do que antes. Para lavar o quintal, aprendi a usar um balde e arrastar a água para os outros cantos da casa”, revela.
Nos comércios, até os empreendimentos que mais dependem da água reduziram o consumo. Em dia de racionamento, a cabeleireira Fabiana Miranda, 35, enche três baldes grandes para trabalhar. Para limpar o estabelecimento, ela reaproveita o que sobra da máquina. “Ou a gente economiza ou fica sem. Eu aprendi a me adaptar e economizar ainda mais, porque, se não, nós não trabalhamos”, explica.
Segundo a Caesb, três medidas contribuíram para a recuperação dos níveis dos reservatórios: o consumo consciente dos moradores, os novos sistemas de abastecimento inaugurados no ano passado e o período intenso da chuva. Segundo o presidente da autarquia, Maurício Luduvice, o Subsistema de Captação de Água do Ribeirão Bananal, na Granja do Torto, e o do Lago Paranoá ajudaram a reduzir a dependência dos reservatórios. “A colocação de água nova foi fundamental. Anteriormente, nós tínhamos o Descoberto e o de Santa Maria. Continuamos com eles, mas, agora, contamos com a inclusão do Bananal, do Lago Paranoá e, em breve, de Corumbá IV, com expectativa de colocá-lo em operação até o fim do ano”, ressalta.

Seca

Luduvice explicou que a Caesb também tem reduzido os índices de perda de água no sistema de distribuição. “Substituímos válvulas de pressão, estamos recompondo a rede e combatendo ligações clandestinas. Estamos colocando água nova no sistema e atacando perdas de distribuição”, destacou.
Além disso, a chuva acima da média desde fevereiro contribuiu para a recuperação dos reservatórios. O superintendente de Recursos Hídricos da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Adasa), Rafael Mello, comentou que a primeira projeção indicava 50% do volume útil do Descoberto no fim do período chuvoso, e a segunda, 70%. Para abril, a média de chuva é de 133mm. Até agora, caiu 124mm. “A expectativa é que fique acima da média, mas, a partir da segunda quinzena de abril, a chuva deve diminuir até o início de maio. A seca começa a partir do dia 10 do próximo mês e vai até setembro”, esclarece o meteorologista Hamilton Carvalho, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Fonte: CB
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