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Vacina americana contra coronavírus mostra resultados promissores

A empresa de biotecnologia norte-americana Moderna anunciou que testes de uma possível vacina contra o coronavírus, aplicada em humanos, trouxeram resultados promissores

Internacional

3 meses atrás

Uma boa notícia em meio a tanta incerteza. A empresa de biotecnologia norte-americana Moderna anunciou que testes de uma possível vacina contra o coronavírus, aplicada em humanos, trouxeram resultados promissores. Oito pacientes receberam a dose e mostraram imunidade semelhante à de pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 já recuperadas da covid-19. Espera-se que uma nova etapa de pesquisas seja iniciada o quanto antes, ainda em julho, envolvendo 600 pessoas.

Voluntários saudáveis de 18 a 55 anos, depois de receberem a novidade, desenvolveram anticorpos capazes de eliminar a capacidade de replicação do vírus. Alguns deles, inclusive, apresentaram um nível superior de proteção ao de pessoas contaminadas.

Contudo, é preciso entender que os resultados não provam que esta é, definitivamente, a solução para o problema que aflige o planeta, já que existe a necessidade de saber como o organismo reage à possibilidade de contaminação no “mundo real”. Além disso, a tecnologia responsável pela extração e análise do RNA é relativamente nova e precisa passar por uma série de avaliações.

Ainda assim, considerando o pouco tempo envolvido no processo quando se coloca como referência procedimentos tradicionais, trata-se, realmente, de algo a ser comemorado, já que o coronavírus infectou oficialmente, até a data de hoje (18), mais de 4,8 milhões de pessoas no planeta, contabilizando quase 320 mil mortes.

O que vem por aí

Já são diversas as iniciativas para encontrar a imunização, e a Moderna se juntou ao Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA para desenvolver esta alternativa. Quanto mais empresas envolvidas melhor, já que bilhões de doses serão necessárias no mundo todo. Um esquema de logística centralizado em uma só companhia pode atrasar a entrega em todas as localidades.

Dada a urgência da situação, algumas questões preocupantes são levantadas, como possíveis efeitos colaterais dessas soluções não estudados a longo prazo. Uma segurança um pouco maior demandaria testes em milhares de pessoas de diferentes regiões e o acompanhamento constante desses voluntários – um tempo que, infelizmente, não temos. Só para se ter ideia, a fase 1 dos testes da vacina norte-americana em questão ainda estão em andamento, mesmo com o passo acelerado para novas etapas.

Nenhum dado oficial a respeito da novidade foi divulgado ao grande público, sendo que resultados do estudo só foram entregues à Food and Drug Administration, agência reguladora dos EUA, que não costuma comentar sobre procedimentos em andamento. A empresa por trás das pesquisas divulgou que informações detalhadas só serão fornecidas após a etapa final, prevista para ocorrer até o fim de setembro.

Dr. Tal Zaks, representante da companhia.

De acordo com o Dr. Tal Zaks, representante da companhia, se os procedimentos forem bem-sucedidos, a vacina estará disponível entre o fim de 2020 e o começo de 2021. Há, ainda, um porém: duas doses serão necessárias em um intervalo mínimo de um mês, o que significa que a quantidade produzida representará a metade de pessoas efetivamente imunizadas. “Estamos dando o nosso melhor para fabricar quantas milhões for possível”, afirmou Zaks.

Como reagiram os voluntários?

Três variedades de doses foram testadas, diferenciadas por sua intensidade neutralizadora: a baixa, a média e a alta. Recebendo sua forma mais potente, três pacientes apresentaram febre, dores musculares e dores de cabeça. Essa foi descartada na continuidade dos processos. Os efeitos das outras duas se restringiram a vermelhidão e dor no braço de um voluntário, justamente no local em que foi aplicada. Lembrando que, apesar de parecer pouco, trata-se de uma pessoa em um grupo restrito de oito saudáveis.

O descarte da dose mais alta foi impulsionado, também, pelo fato de que as amostras mais fracas parecem funcionar tão bem quanto a eliminada – com o diferencial de proporcionarem a possibilidade de uma produção mais ampla por exigirem menos material genético.

Stéphane Bancel, chefe executivo da Moderna.

“Estamos muito, muito, muito felizes, pois ela foi, no geral, segura”, afirma Stéphane Bancel, chefe executivo da Moderna. “A melhor parte é que a resposta para uma grande pergunta foi encontrada: ‘É possível encontrar anticorpos suficientes para lutar contra o coronavírus?” Bem, ao que parece, sim, é possível.

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