Servidores da saúde intensificam greve e população continua a sofrer

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A relação entre sindicalistas e governo está cada dia mais emperrada. Os servidores da saúde prometem acirrar o movimento grevista em represália ao corte de ponto ordenado pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Essa é a segunda tentativa do GDF para conter as paralisações. Ontem, cerca de 500 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, protestaram contra a medida em frente ao Hospital de Base (HBDF). Líderes das categorias prometem suspender serviços de lavanderias e laboratórios. Desde o dia 8, o atendimento à população está prejudicado — clínicas da família, unidades de pronto atendimento (UPAs) e postos de saúde não recebem novos pacientes. Cirurgias e exames foram cancelados.

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos em Saúde de Brasília (SindSaúde) encabeçou o ato de ontem. Na mobilização, sindicalistas explicaram aos servidores que a greve é legal, diferentemente do alegado pelo Buriti e da decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que determinou a volta imediata ao trabalho sob o risco de multa diária de R$ 100 mil, em caso de desobediência. “Adotaremos a postura de enfrentamento ao GDF. Ninguém do governo nos chamou para uma reunião, e não recebemos notificação da Justiça. Portanto, seguiremos com a greve”, retrucou Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde. Servidores da saúde entraram em greve na última quinta-feira contra o não pagamento de reajustes salariais concedidos em 2013, na gestão de Agnelo Queiroz (PT).

Caos
O entrave nas negociações entre o Buriti e os servidores coloca em xeque o atendimento à população, apesar de o TJDFT ter determinado o fim da greve. Nos últimos dias, a cena mais comum em hospitais e unidades de saúde são emergências vazias. Pacientes são mandados de volta para casa sem tratamento. Em alguns casos, nem quem está internado consegue assistência. A secretária Oneide Pereira da Silva, 42 anos, desde quarta-feira passada peregrina pelos hospitais a fim de conseguir uma cirurgia no braço do filho de 11 anos. O menino foi internado, porém não havia médico para operá-lo. “Os enfermeiros o colocam em jejum para a operação, mas chega algum caso mais grave e desistem. Meu filho fica lá, passando mal. Eles dizem que não tem médico por causa da greve. Eu me sinto humilhada”, reclama.

Atendimento prejudicado

Veja como está o funcionamento nos diversos órgãos e setores da Saúde

» Samu: a greve atinge a parte administrativa. O quantitativo de viaturas para atendimentos está normal.

» Hemocentro: funciona com equipe reduzida.

» Hospitais: as emergências funcionam com número reduzido de servidores, e o atendimento está restrito aos casos mais graves (laranja e vermelho). Cirurgias, apenas as de urgência. Exames foram cancelados. Ambulatórios funcionam apenas com as salas de curativos.

» UPAs: nas unidades de Samambaia e do Núcleo Bandeirante, dois médicos atendem pela manhã. Em Sobradinho, Ceilândia, Recanto das Emas e São Sebastião há apenas um clínico geral.

» Farmácia de alto custo: sem atendimento ao público.

» Centros de saúde e clínicas da família: não atendem.

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