Greves e falta de diálogo entre governo e servidores continuam em Brasília
Mais problemas à vista para a população. Servidores de empresas como o Metrô e a CEB devem entrar em greve na semana que vem. Enquanto isso, os professores decidiram ontem, dois dias após o confronto com policiais militares no Eixão Sul, pela continuidade da paralisação por tempo indeterminado. E, apesar da volta ao trabalho de 150 categorias da Saúde, médicos e técnicos em enfermagem seguem de braços cruzados. Para representantes do governo, não há como pagar os reajustes salariais antes do ano que vem. “Queremos pagar. Não se trata de falta de vontade política, mas incapacidade financeira. Trabalho com fatos, e o fato é que conseguiremos quitar as dívidas apenas em 2016”, afirmou o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio.
Na manhã de ontem, a Praça do Buriti, mais uma vez, se tornou palco de manifestantes. Cerca de 3 mil professores e alunos de escolas públicas, segundo a Polícia Militar, ou pelo menos 5 mil, para a liderança do movimento, estiveram reunidos para a assembleia. Nos discursos, o tom era de insatisfação. O embate entre professores e policiais, ocorrido na quarta-feira e que resultou na detenção de cinco participantes da obstrução da via, voltou a ser o motivo da revolta. “O responsável por essa violência é o governador. Mas, com isso, percebemos a solidariedade da população”, afirmou Washington Dourado, diretor do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF).
Movimentos estudantis marcaram presença. Um grupo entregou rosas para professores e demais participantes da assembleia — algumas flores chegaram a alguns policiais que faziam a segurança na praça. Além da violência, a acusação da falta de diálogo por parte do governo teve destaque nos discursos. “Nenhuma proposta concreta chegou até o momento. Quanto à ilegalidade da greve, quem decide o fim da paralisação é o movimento. E só voltaremos às atividades quando tivermos negociação”, reforçou Dourado. Com a insatisfação geral, os professores decidiram em votação por manterem a greve por tempo indeterminado e intensificação de manifestações. Uma nova assembleia geral da classe foi marcada para quarta-feira.
Sobre o confronto, o secretário Sérgio Sampaio afirmou que os atos serão investigados. “Analisaremos as imagens dos professores, mas também de outros cidadãos e da própria polícia para verificar se houve uso de força excessiva”, esclareceu o secretário, que rebateu a afirmação de que o governo não tem diálogo com os grevistas. “Nós convidamos todos os sindicatos que tragam equipes técnicas para abrirmos as contas e mostrarmos que não há condições de atender as demandas de reajustes agora. Mas outras ações que não envolvam aporte financeiro serão debatidas.”