Juiz determina desocupação de hotel invadido no centro de Brasília
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal determinou, em caráter liminar, a imediata reintegração de posse do Hotel Torre Palace, ocupado por integrantes do Movimento Resistência Popular desde 23 de outubro. A multa é de R$ 10 mil por dia de descumprimento da decisão. Cabe recurso.
De acordo com o TJ, representantes do hotel entraram com o pedido de reintegração no dia 28. O juiz autorizou que, em caso de resistência, seja usada força policial. A decosupação deverá ser previamente planejada pela Polícia Militar.
Os invasores ocupavam antes o Clube Primavera, para onde o governo havia transferido o grupo depois da invasão ao hotel Saint Peter. Eles ficaram no local por um mês.
Os manifestantes cobram a prorrogação do auxílio-aluguel, que atualmente vale R$ 600 e é pago por até um ano. O GDF diz não ter como atender ao pedido e informou que detectou a construção irregular de casas no local.
O líder do movimento, Edson Silva, afirmou na ocasião ao G1 que o governo quebrou o acordo feito com o grupo. “Mais uma vez o governo está quebrando acordo. Não avisaram nada dessa operação para a gente. Estão entrando aqui desmontando barracos e sem dizer nada. Essa ação é ilegal.”
O Ministério Público havia entrado com ação questionando a ocupação do clube, que fica em área de preservação permanente em Taguatinga. Dados do próprio GDF apontam que 30 casas foram construídas pelo grupo no local. A Polícia Militar informa que, desde a transferência dos manifestantes, em 20 de setembro, tem patrulhado a área. Segundo a corporação, não houve aumento nos índices de criminalidade.
O representante do GDF disse que os manifestantes não conseguiram se organizar enquanto grupo. “Houve uma situação excepcional no momento em que eles invadiram o hotel Saint Peter. Como existem pessoas vulneráveis no grupo, o governo decidiu realocá-los. Houve o cadastramento das famílias, mas o movimento não conseguiu se legitimar como entidade.”
Histórico
O hotel Saint Peter, primeiro invadido pelo MRP, é o mesmo que ofereceu emprego de gerente com salário de R$ 20 mil ao ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, condenado no mensalão, e foi palco para o sequestro de um funcionário do ano passado.
A Polícia Militar diz que os manifestantes quebraram a porta de entrada, fizeram barricadas e começaram a invadir os quartos na madrugada de segunda. O grupo ocupava uma área no Setor Bancário Norte havia mais de dois meses.
No dia 7 de setembro, manifestantes do MRP interditaram o Eixo Monumental e queimaram pneus em frente à rodoviária do Plano Piloto em ato por moradia. A maioria dos manifestantes mora nas regiões de Brazlândia, Ceilândia, Planaltina, Recanto das Emas, Samambaia e Santa Maria.
Fonte: G1