“Auschwitz foi um pesadelo”. Antigo guarda declara-se “arrependido”

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“Tenho vergonha de ter deixado esta injustiça acontecer e de nada ter feito para o impedir (…) Estou sinceramente arrependido”, declarou no tribunal de Detmold (oeste), onde está a ser julgado desde 11 de fevereiro “por cumplicidade” na morte de pelo menos 170.000 pessoas entre janeiro de 1943 e junho de 1944.

Jovem operário recrutado aos 18 anos pelas Waffen SS (força militar do partido nazi de Adolf Hitler), Hanning combateu nos Balcãs e na frente russa antes de ser transferido, no início de 1942, para Auschwitz. Colocado no campo de concentração de base Auschwitz-I, também fiscalizava a zona do cais de chegada de Birkenau (Auschwitz-II).

No 13.º dia do seu julgamento e tendo até agora mantido o silêncio, Hanning lamentou hoje ter pertencido a uma organização responsável pela morte de incontáveis famílias e inocentes, segundo declarações divulgadas pela agência alemã DPA.

Antes, os seus advogados tinham lido um texto de 23 páginas sobre a juventude e o envolvimento do seu cliente, no qual ele reconhece ter tido conhecimento dos assassínios em massa realizados em Auschwitz. O texto retrata igualmente um acusado apolítico que nada pode fazer contra a sua incorporação nas SS.

“Auschwitz foi um pesadelo. Gostaria de nunca lá ter estado”, conclui o texto.

Hanning arrisca três a 15 anos de prisão.

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