Secretaria de Saúde está em estado de alerta para caxumba no DF
A estudante de farmácia Amanda Moura, 21 anos, teve caxumba há três semanas. A moradora de Ceilândia comprovou a doença após dois exames. “Sentia meu corpo dolorido, mas achava que era referente às muitas horas de estudo que tive durante a semana, então achei normal. Durante a noite, a minha mandíbula começou a inchar e, no dia seguinte, amanheci com febre. Fui direto ao hospital”, detalha a moça, que ficou de atestado durante 15 dias.
A gerente de Vigilância Epidemiológica, Priscilleyne Reis, explica que, quando há mais de dois casos relacionados no mesmo local, é considerado um surto. “Ainda não é uma situação de emergência, mas estamos acompanhando o quadro e a alteração do cenário. O aumento durante o inverno é esperado. Nós nos preocupamos com a caxumba como com todas as doenças infectocontagiosas. A magnitude, por enquanto, são de surtos pontuais, não há uma epidemia”, minimiza.
No Brasil, a doença se espalhou por pelo menos seis unidades da Federação. Em Goiânia, a Secretaria Municipal de Saúde identificou 55 casos do mal até maio (leia Para saber mais). O especialista em doenças infectocontagiosas Eduardo Espíndola explica que a caxumba tem um período de incubação de duas ou três semanas e os primeiros sintomas são febre, calafrio, dores de cabeça, musculares e ao mastigar ou engolir, além de fraqueza. “É essencial que as pessoas não fiquem em aglomerações, para evitar a transmissão”, destaca.
Risco
O Colégio Marista, na 609 Sul, alertou famílias e responsáveis pelos alunos a respeito dos casos de caxumba. Desde 31 de maio a instituição identificou nove casos da doença. A direção da escola adiou a festa junina, prevista para 18 de junho, com o intuito de evitar eventos com grandes aglomerações. “Orientamos sobre a importância da identificação de sintomas relacionados à doença, a necessidade de procura imediata por um médico, além de informar ao colégio sobre casos confirmados”, informa nota da escola. No Colégio Militar de Brasília (CMB), na 904 Sul, a entidade solicitou a carteira de vacinação dos alunos e providenciou a aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral.
Juliana Domingues, 19 anos, ficou oito dias com os sintomas da caxumba. A moça peregrinou por três unidades médicas até conseguir tratamento. “Tentei atendimento na UPA de Ceilândia e nos hospitais de Ceilândia e Samambaia, mas falavam que era caxumba e agiam como se fosse algo ocasional, então me mandavam ir para casa porque não havia um atendimento a ser feito no hospital”, conta a jovem, que integra o Encontro de Jovens com Cristo (Ejoc), do Santuário Nosso Senhora do Perpétuo Socorro, em Taguatinga — pelo menos 10 integrantes do movimento tiveram a doença.
Vacinação
Para Priscilleyne Reis, as estatísticas de imunização no DF são boas. A cobertura vacinal em crianças menores de 1 ano chegou a 95% até abril. Segundo dados da Vigilância Epidemiológica, 27,5 mil pessoas foram protegidas. “Não é necessário urgência, mas é preciso se imunizar. Os pais devem manter o cartão de vacinação atualizado. Na dúvida se tomou ou não a vacina, é essencial procurar as salas de vacinação”, ressalta Priscilleyne. A Secretaria de Saúde passou a monitorar a doença apenas em julho do ano passado.
Os primeiros casos de caxumba apareceram no Bloco D da Penitenciária II do Complexo da Papuda. O Executivo local chegou a suspender as visitas no local. Ao todo, 142 detentos tiveram a doença em 2016. Dos 14,7 mil presos, 7 mil receberam doses da vacina em março.