Autoridades admitem contratempos na investigação da morte de universitária
Há três dias, a Polícia Civil prefere o silêncio e mantém o sigilo das informações sobre a morte da universitária Jéssica Leite César, 20 anos. Investigadores tentam reunir o máximo de detalhes do assassinato para montar o quebra-cabeça que responda aos questionamentos do crime. O trabalho, concentrado na 17ª DP (Taguatinga Norte), conta com o apoio da inteligência da corporação. A ocorrência é tratada como prioridade na unidade policial e equipes estão à caça dos suspeitos. Até agora, testemunhas, familiares e amigos prestaram depoimento na unidade policial. O delegado Flávio Messina concentra esforços em uma testemunha-chave, mantida em segredo, que pode ajudar a identificar quem matou a estudante do 5º semestre de jornalismo.
O diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba, confessa que a investigação enfrentou “contratempos”, mas está convicto de que a ocorrência, inicialmente tratada como latrocínio (roubo seguido de morte), deve ter desfecho de homicídio. Ele falou com a imprensa na tarde de ontem. “Não é um caso fácil por todas as peculiaridades que envolvem. Tivemos contratempos na evolução e algumas situações que nos preocuparam. Trabalhamos nas duas principais linhas: latrocínio e homicídio. Se for a primeira opção, seria para levar a bolsa, celular. Se for a segunda, qual seria a motivação? Podemos estar diante de uma série de situações. Temos várias vertentes”, analisou.
Medo
Amigo desde a 4ª série de Jéssica, o universitário Heitor de Moura, 20, acredita no bom trabalho da polícia, mas analisou que a investigação deveria ser mais sigilosa. “Não deveria estar tão aberta”, apontou. Para ele, a situação é muito dolorosa, principalmente porque nunca tinha vivido a violência de modo tão próximo. “A gente sempre vê números de casos como esses, menores ou piores, e nunca imagina que vai acontecer ao lado”, explicou. “Vivemos com medo e, quando acontece com uma pessoa que você gosta tanto, o sentimento é em dobro, porque se percebe que é real. Ocorreu com uma amiga que não vai voltar mais. Essa é uma das coisas mais tristes que se passou na vida de todos que a conheciam”, lamentou Heitor.