Moradores do DF estão preocupados com incidêncua de escorpiões

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Mesmo em época de frio, os escorpiões deixam os moradores do Distrito Federal apreensivos. Na Asa Norte, por exemplo, é constante a localização desses animais nas áreas residenciais. Somente de janeiro a março, a Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), da Subsecretaria de Vigilância à Saúde, atendeu 272 chamados de captura no Distrito Federal. Durante o ano de 2015, foram 970 solicitações. Taguatinga, Asa Sul e Guará completam as cidades com o maior número de ocorrências.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) também recebeu 138 notificações de pacientes que buscaram atendimento médico decorrente de acidentes no primeiro trimestre. Em todo o ano passado, houve 562 casos. Moradores da 712 Norte se deparam constantemente com escorpiões nos terrenos e até no interior das residências. Há 10 dias, Márcia Silveira, 59 anos, encontrou um na porta de casa. “Houve semana em que localizei dois. Isso preocupa um pouco pelo fato de os meus netos virem aqui aos fins de semana. Fico de olho no quintal”, disse. No local, a funcionária pública aposentada toma todos os cuidados para evitar a entrada dos bichos. “Os ralinhos são fechados e também coloquei vedação nas portas. O quintal está sempre limpo pra evitar que eles fiquem por aqui”, relatou.
Na casa do estudante de contabilidade Guilherme Roumillac, 21 anos, também foram encontrados esses aracnídeos há menos de dois meses. “Encontramos um na cozinha e outros dois na varanda”, lembrou. Em virtude da incidência, a residência dele é dedetizada de seis em seis meses. “Tomamos essa medida, e mantemos todos os ralos fechados e não acumulamos nenhum tipo de entulho pela casa. A equipe da Vigilância Sanitária esteve algumas vezes por aqui, mas eles disseram que não existe um veneno capaz de eliminar o animal”, contou o também morador da 712 Norte.
No DF, são encontradas pelo menos duas espécies de escorpião tityus bahiensis e tityus serrulatus, conhecido como escorpião-amarelo. Segundo o diretor da Vigilância Ambiental, Divino Valero Martins, a presença deles tem relação com questões climáticas e, principalmente, ambientais. “Sabemos que, em épocas de calor, a incidência é maior, mas as pessoas têm a impressão de que, em dias amenos, eles não aparecem. Não é assim. Se o local tem algum entulho e buracos nas paredes, já é propício para a aparição desses animais. O que fazemos é trabalho educativo, no sentido de que a população cuide do espaço onde vive”, explicou.
Crianças
Segundo Martins, cinco equipes atuam diariamente em diversas regiões do DF. “Não existe um veneno eficaz para eliminar a presença de escorpiões. Em algumas ocasiões, faz-se um tratamento, mas o que realmente adianta é a conscientização da população. O nosso trabalho é no sentido da educação ambiental para que as pessoas corrijam as falhas físicas e comportamentais; e, com isso, se reorganizem para tirar o animal de dentro de casa”, alertou.
A picada ataca o sistema nervoso e pode causar a morte, dependendo da quantidade de veneno, da profundidade da lesão e da fragilidade do sistema imunológico da vítima. As consequências são dor, ardência e inchaço no local picado. Crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa são as que correm mais risco. Por isso, segundo o mestre em medicina preventiva da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Luiz Tauil, em caso de ataque, é preciso procurar imediatamente uma unidade de saúde. “Não se deve tentar pressionar a área afetada e, muito menos, tampar. O atingido, principalmente em se tratando de criança, deve procurar um hospital para ser aplicado o soro antiescorpiônico, que ajuda na recuperação”, revelou.

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