Em depoimento, sindicalista acusa vice-governador sem apresentar documentos

Depois de prometer revelações estrondosas sobre um suposto esquema de corrupção no governo, a sindicalista Marli Rodrigues recuou e não deu detalhes sobre as denúncias. A presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde prestou depoimento na Câmara Legislativa ontem e fez graves acusações contra o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Mas, segundo Marli, ela não pode entregar provas para não atrapalhar as investigações do Ministério Público. O vice-governador também foi ouvido pela CPI da Saúde. No depoimento, Renato Santana (PSD) deu detalhes de uma denúncia sobre propina entregue a ele por empresários do ramo de eventos. O vice recebeu muitas cobranças dos parlamentares por não ter formalizado oficialmente as acusações em órgãos como a Corregedoria e a Polícia Civil em abril, quando foi informado do caso.
A oitiva de Marli Rodrigues na comissão ocorreu em sessão aberta, por determinação da Justiça. A sindicalista chegou à Câmara pouco depois das 10h com uma pilha de papel às mãos. A expectativa em torno do depoimento de Marli era grande, mas, assim que subiu à tribuna, ela já avisou que não falaria detalhes sobre as denúncias para não atrapalhar o andamento das apurações. Marli entregou documentos ao Ministério Público de Contas e ao Ministério Público do Distrito Federal, que vão investigar as denúncias. “O que posso dizer aqui, hoje, é que há 84 pessoas na fila da UTI, além de 9 mil crianças à espera de uma consulta com neuropediatra”, justificou.
Marli, que recentemente entrou em um embate público com Rodrigo Rollemberg por conta do projeto de contratação de organizações sociais, não poupou ataques ao governador. Disse que estava sendo ameaçada de morte, mas não deu detalhes das intimidações. “O governador persegue o povo, os servidores, os sindicalistas, derruba casas. É uma pessoa perigosa e vingativa.”
Resposta
À tarde, em uma entrevista coletiva sobre segurança, Rollemberg falou sobre o episódio. Irritado com as provocações de Marli, disse que a sindicalista “vai pagar muito caro pelas declarações caluniosas e difamatórias que fez à CPI”. Para ele, as denúncias realizadas pela presidente do SindSaúde têm relação com a contratação de organizações sociais e com a realização de licitação para serviços de vigilância e alimentação da rede. “Estamos contrariando interesses milionários e poderosos”, justificou Rollemberg.
Durante a oitiva, Marli disse que o GDF comprou testes de dengue com superfaturamento no preço, e que teria havido um atraso proposital na compra de marca-passo. Ela mencionou ainda o suposto favorecimento de pagamentos a determinadas empresas e fraude no contrato de manutenção em veículos.