Brasília sem transporte mesmo com liminar obtida pelo GDF

De nada adiantou a liminar obtida pelo Governo de Brasília que garantiria a manutenção parcial do transporte público da capital. As estações do Metrô estão fechadas e nenhum ônibus deixa as garagens nesta sexta-feira (30), marcada por uma greve geral dos serviços como forma de protesto às reformas trabalhista e previdenciária conduzidas pelo Governo Federal. O ato foi convocado por entidades sindicais.

Quem precisa se deslocar na manhã desta sexta-feira (30) desembolsa de R$ 5 até R$ 10 em transportes piratas. Onibus escolares, vans, carros de passeio e até táxis oferecem o caminho nos pontos da capital. Em Ceilândia, micro-ônibus de cooperativas fazem os caminhos curtos, dentro da própria região.

A diarista Josevane Vieira, 39 anos, teve de andar por 40 minutos do Sol Nascente até o centro de Ceilândia, onde espera um transporte irregular para levá-la para Águas Claras. “É o jeito. O problema é que só tem ônibus para o Plano Piloto. Os patrões muitas vezes não entendem que dependemos do transporte e não conseguimos chegar”, lamenta.

Já o vendedor Augusto César, 30 anos, conseguiu uma carona solidária de uma colega de trabalho. Eles irão juntos até a Estrutural e, ao fim do dia, o retorno também deve ser compartilhado. “Acho que esse tipo de paralisação prejudica até quem não deveria quem paga pelos erros do governo. Faça chuva ou faça sol, temos que trabalhar”, reclama.

O brasiliense enfrenta congestionamentos pelas vias abarrotadas de carros retirados das garagens. Exceto pelo corredor do BRT, todas as faixas exclusivas da capital estão liberadas para todos os carros até meia noite.

Sem aula

Professores paralisados se encontram durante a manhã na Praça do Relógio, em Taguatinga, para um ato em favor do movimento. Cada escola particular tem autonomia para decidir aderir ou não ao movimento. Na última convocação, apenas cinco dos 503 colégios suspenderam as atividades.

Corte de ponto

O Governo de Brasília tentou minimizar os efeitos da paralisação, mas o funcionamento de 50% da frota de transporte público foi ignorado pelas categorias. Por enquanto, o que se sabe é que será cumprida a Lei de Geral de Greve aplicada ao serviço público, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, com regras que preveem corte de ponto e de vantagens nos dias de falta aos servidores que participarem de greves e paralisações. Isso para que os serviços prestados à população não sejam ainda mais prejudicados.

Os órgãos se segurança pública fizeram um esquema especial para o dia de greve. A expectativa é que cinco mil pessoas se reúnam, em manifestação, na Esplanada dos Ministérios. Por isso, o acesso à região está bloqueado até o fim do dia, com reforço no policiamento.

Saiba mais

Em 28 de abril, atendendo ao chamado das centrais, mais de 30 categorias de trabalhadores da capital participaram do ato e prejudicaram serviços básicos. Em todo o País, mais de 40 milhões de trabalhadores aderiram à paralisação.

fonte:

Jornal de Brasilia

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