Ação na Venezuela foi 1º ataque direto dos EUA à América do Sul
Ação militar do governo de Donald Trump contra a Venezuela foi o primeiro ataque direto dos EUA contra uma nação sul-americana

A decisiva manobra do governo norte-americano sob Donald Trump, nesse sábado (3/1), escancara uma nova realidade na América do Sul: pela primeira vez, os Estados Unidos atacaram militarmente um país da região. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a esposa, Cilia Flores, foram capturados e a Casa Branca vai assumir temporariamente o controle da Venezuela.
Na madrugada de sábado, helicópteros e tropas americanas avançaram sobre Caracas. Segundo Trump, Maduro e Flores foram transportados até o porta-aviões USS Iwo Jima, e levados para Nova York, onde enfrentarão julgamento por “narcoterrorismo”. O casal desembarcou nos EUA no começo da noite de sábado.
Durante coletiva em Mar-a-Lago, o norte-americano relacionou a intervenção à exploração do petróleo da Venezuela. “A nossa presença na Venezuela tem tudo a ver com o petróleo. Essa riqueza ajudará os venezuelanos e será reembolsada aos Estados Unidos pelos danos causados ao nosso país”, disse.
O republicano ressaltou que os EUA não gastarão com a reconstrução do país, mas sim recuperarão os recursos energéticos.
Trump também confirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela até que seja definida uma transição de governo.
“Estamos lá e ficaremos até que uma transição adequada aconteça. Vamos basicamente executar, administrar o país até que uma transição apropriada ocorra”, disse.
Paralelos com intervenções passadas
Em 1973, no Chile, Washington teve papel ativo na derrubada de Salvador Allende, presidente democraticamente eleito e líder do Partido Socialista, e na ascensão da junta militar de Augusto Pinochet.
O apoio norte-americano incluiu financiamento de campanhas de desinformação, pressões diplomáticas e cooperação com setores militares locais. Esse episódio se tornou referência para a Operação Condor, rede de repressão coordenada por ditaduras sul-americanas que perseguiu opositores de esquerda durante os anos 1970 e 1980.
Salvador Allende morreu em 11 de setembro de 1973, durante o golpe no Palácio Presidencial de La Moneda, em Santiago. O líder socialista recusou-se a se render, optando por tirar a própria vida.
Autópsias e processos judiciais posteriores, incluindo uma investigação conduzida por tribunal chileno e autorizada pela família, confirmaram que o chileno morreu por ferimentos autoinfligidos de arma de fogo, encerrando décadas de especulações sobre um possível assassinato pelas forças golpistas.
Intervenção no Caribe há 43 anos
Outra intervenção norte-americana também ocorreu em 3 de janeiro — há exatos 43 anos —, quando forças dos EUA capturaram o ditador Manuel Noriega, que governava o Panamá desde agosto de 1983.
Embora inicialmente apoiado por Washington, Noriega perdeu o respaldo americano ao longo dos anos, sendo acusado de vínculos com o narcotráfico.
A operação foi conduzida pelo governo de George H. W. Bush, pai do ex-presidente George W. Bush. Noriega foi condenado nos EUA, em 1992, a 40 anos de prisão por associação com o tráfico, cumpriu pena no país até 2009 e depois foi extraditado para a França, onde recebeu nova condenação.
Retornou ao Panamá em 2011, permanecendo em prisão domiciliar até a morte, em 2017.
- Paralelo com Maduro, 3/1/2026: Exatamente 36 anos depois, em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos capturaram líder chavista, Maduro e sua esposa, durante ofensiva militar em Caracas.
Diferentemente de Noriega, Trump assumiu diretamente o controle da Venezuela, reforçando o caráter sem precedentes da operação e evidenciando a retomada de uma lógica histórica de hegemonia regional.

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EUA no comando da Venezuela
Maduro é acusado pelo governo norte-americano de chefiar o Cartel de los Soles, recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional. A procuradora-geral americana, Pam Bondi, afirmou que ele “enfrentará toda a fúria da Justiça americana”.
Pouco antes da coletiva, a primeira foto de Maduro após a captura foi divulgada: algemado, segurando uma garrafa de água, com fones de ouvido e venda nos olhos.
A ofensiva reforça a presença americana na região, garantindo acesso direto ao petróleo venezuelano e reafirmando padrões históricos de hegemonia e intervenção militar que remontam à Guerra Fria.

Hegemonia norte-americana
A operação atual pode ser inserida em uma lógica histórica de hegemonia dos EUA na América Latina, que remonta à Doutrina Monroe (1823) e ao Corolário Roosevelt (1904).
Desde então, Washington se apresenta como “polícia hemisférica”, autorizando intervenções para proteger interesses estratégicos, conter potências rivais e limitar a autonomia de governos locais.
As ofensivas de Trump em 2025 intensificaram esse padrão. Em dezembro, ele ameaçou atacar qualquer país que produzisse ou vendesse drogas para os EUA, justificando ações militares como combate ao “narcoterrorismo”.
A retórica se concretizou na Venezuela, após ataques a portos e destruição de embarcações suspeitas de traficar drogas.
O país também mantém 15 mil militares na região do Caribe, com navios e aeronaves de combate, incluindo o porta-aviões USS Gerald Ford. Desde setembro de 2025, mais de 24 embarcações classificadas como ligadas ao tráfico foram destruídas, com mais de 100 mortos, embora provas concretas não tenham sido divulgadas.
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