Terreiro é alvo de ataques com pedras durante rituais no DF

Incidentes causaram a quebra de telhas. Mãe procurou terreiro e disse que filho autista, com sensibilidade auditiva, assumiu ataques

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A Tenda Espírita Pai Benedito do Congo, localizada no Núcleo Rural Ponte Alta Norte, no Gama (DF), foi alvo de dois ataques com pedras nos dias 17 e 31 de janeiro deste ano, ambos durante rituais religiosos.

As datas coincidem com períodos simbólicos para religiões de matriz africana, o que levou a casa a registrar boletins de ocorrência.

O primeiro ataque ocorreu em 17 de janeiro, quatro dias antes do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. Por volta das 17h, enquanto médiuns se preparavam para uma liturgia, grandes pedras foram arremessadas contra o telhado do terreiro.Play Video

Segundo o dirigente da casa, Anísio Pereira, de 23 anos, o barulho chamou a atenção dos participantes. “Foi muito alto. Paramos para verificar e havia uma pedra de mais de um quilo sobre o telhado. Depois que retomamos os cantos, outras duas foram lançadas em seguida”, relatou.

O segundo ataque ocorreu em 31 de janeiro, véspera do Dia de Iemanjá — uma das datas mais importantes para as religiões de matriz africana —, por volta das 21h55. Na ocasião, o terreiro realizava uma gira aberta ao público, que reunia cerca de 90 pessoas. A Polícia Militar foi acionada, e um novo boletim de ocorrência foi registrado na 20ª Delegacia de Polícia (Gama).

A perícia da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) constatou a quebra de seis telhas, além de outros danos na estrutura do imóvel.

Ele ressaltou ainda que os rituais são realizados apenas com palmas e cantos, em horários restritos, sem o uso de som alto. “Não utilizamos instrumentos de amplificação sonora”, completou.

Autor dos ataques identificado

Após repercussão da notícia em um condomínio vizinho, a mãe de um adolescente de 16 anos procurou Anísio e afirmou que o filho foi o responsável pelas pedradas.

Ao Metrópoles ela afirmou que o jovem é autista e possui sensibilidade auditiva. “Isso não justifica o ocorrido, mas ajuda a contextualizar a situação”, disse.

A mulher afirmou ainda que se dispôs a arcar com os prejuízos causados, e que repudia qualquer forma de intolerância religiosa.

“Conversamos de forma respeitosa e já me coloquei à disposição para arcar integralmente com os danos, incluindo o pagamento das telhas danificadas e quaisquer outras consequências necessárias.”

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fonte:

Metrópoles

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