“Madrugadas em claro”: campeão de pôquer expõe Neymar e liga vício nas cartas à queda no futebol
Victor Garcia afirmou que o atacante já joga pôquer em “nível profissional” e disse que a rotina de mesas, horários pesados e mente no limite teria ajudado Neymar a deixar de ser jogador de futebol de elite

Neymar voltou a ser alvo de críticas após participar de um torneio de pôquer em Las Vegas, nos Estados Unidos, poucos dias depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo. O ataque mais pesado veio de Victor Garcia, campeão brasileiro da modalidade, que afirmou que o camisa 10 já joga em “nível profissional” e associou o pôquer ao desgaste da carreira do atleta.
Eu ainda estava com o copo de suco de melancia na mão, tentando me recuperar da anatomia rara da família Urach, quando Neymar resolveu aparecer de novo, agora no baralho. Respirei fundo, dei um gole e falei sozinha na cozinha: “esse menino saiu da Copa, mas não saiu da mesa”. Minha filha, o Brasil ainda está catando os pedaços do vexame e o bonito já virou case de Las Vegas com ficha, blefe e madrugada.

No X, Victor Garcia foi direto. “Eu, como ex-profissional do pôquer, afirmo: Neymar hoje joga poker em nível profissional, e o pôquer foi um dos responsáveis por ele deixar de ser um jogador de futebol”, escreveu. A frase caiu como gasolina em fogueira, porque toca justamente na crítica que persegue Neymar há anos: talento imenso, foco questionado e vida fora de campo sempre maior do que a bola.
Garcia completou dizendo que o pôquer exige uma rotina pesada. Segundo ele, a modalidade envolve horários puxados, madrugadas em claro e “mente levada ao extremo”. “É a escolha dele, só deveria ser sincero”, afirmou.
E aqui a coisa fica feia para Neymar. Porque ninguém está dizendo que jogar pôquer seja crime, pecado ou fim do mundo. O problema é o contexto. O Brasil acabou eliminado da Copa, o torcedor está com gosto de derrota na boca, e o principal nome da geração aparece em Las Vegas disputando torneio como se o luto esportivo tivesse durado menos que uma rodada de blinds.
Neymar deixou a competição sem avançar para o segundo dia. Depois, seguiu nos Estados Unidos com a família, passou por Las Vegas, voltou para Orlando e publicou vídeo treinando em uma academia. Mas a imagem que colou não foi a do treino. Foi a do jogador sentado à mesa, em mais um capítulo da eterna pergunta: Neymar ainda quer ser futebol ou já virou entretenimento em tempo integral?
O atacante tem histórico de participação em torneios de pôquer e já disputou competições fora do Brasil. A diferença agora é que tudo acontece depois de uma Copa do Mundo frustrante, com a seleção eliminada e com o próprio Neymar cercado por cobranças sobre futuro, forma física, prioridade e compromisso.

Eu sei que fã vai dizer que ele tem direito de viver, viajar, jogar e respirar. Tem mesmo. Mas também tem direito de ouvir cobrança quando a carreira parece virar uma mistura de lesão, publi, festa, carta e promessa de “agora vai”. Aos olhos do torcedor, a conta não fecha. Ou melhor: fecha, mas sempre na mesa errada.
Victor Garcia colocou em palavras o que muita gente vinha resmungando no sofá: Neymar joga pôquer bem demais para quem deveria estar obcecado em jogar bola. E, se o camisa 10 quiser tentar reescrever o final da própria história, talvez precise escolher se a próxima grande jogada será no gramado ou no cassino.

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