Equipamento monitora e melhora desempenho de adeptos do paraciclismo
Josimar Sena da Silva, 30 anos, tem se dedicado a um só objetivo: conquistar uma vaga nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Depois de perder o movimento das pernas em um acidente de carro, em 2003, quando tinha 18 anos, o mineiro de Juiz de Fora fez de tudo para se manter ativo. Sem muitas oportunidades para praticar esportes adaptados na cidade natal, mudou-se para São José dos Campos (SP), onde experimentou atletismo, basquete e canoagem, até começar a se dedicar integralmente ao paraciclismo, em 2013. Agora, o sonho olímpico parece cada vez mais próximo, graças ao esforço e à dedicação de Josimar e de uma importante ajuda da tecnologia.
O mineiro é um dos paratletas brasileiros beneficiados por um sistema eletrônico pensado para ajudar os usuários da handbike, bicicleta impulsionada pelos braços. Desenvolvido em parceria pela Universidade do Vale do Paraíba (Univap), a Vemex e a Shimano, o equipamento, com tecnologia 100% brasileira, é anexado ao pedal do veículo, trazendo uma série de vantagens.
“É um sistema que transmite em tempo real para um aplicativo de celular informações como batimentos cardíacos, força muscular, velocidade média e potência da bicicleta. Esses dados nos dão parâmetros, números, que conseguimos converter em metas. O atleta se transforma em homem máquina, já que todos os seus movimentos são calculados para não desperdiçar energia”, explica o professor Mário Oliveira Lima, pesquisador e coordenador do curso de fisioterapia da Univap.
Por ser leve — pesa apenas 300 gramas —, o dispositivo não faz com que o atleta tenha de se esforçar mais. O modelo de handbike usado por Josimar, por exemplo, pesa 13kg. Para desenvolvê-lo, os parceiros do projeto contaram com R$ 1 milhão fornecidos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Agora, os treinos de Josimar, no Clube de Campo de São José dos Campos (SP_) são inteiramente monitorados a partir de dados fornecidos pelo sistema. Segundo o professor Mário Lima, o monitoramento remoto tem sido fundamental para o desenvolvimento do mineiro e da também paraciclista Jady Martins. “Com técnicos, nutricionistas e fisiologistas, estamos usando esses cados coletados para errar cada vez menos. Às vezes, eles pedalavam mais na descida e gastavam força desnecessária. Com os dados precisos, eles desperdiçam cada vez menos, e isso é convertido em melhores resultados”, diz Lima.
Realização
Os resultados começaram a aparecer nesta temporada. Desde que passou a ser acompanhado pelo projeto da Univap, que já originou diversos estudos e teses, Josimar viu sua perfomance evoluir constantemente. Ele compete nas categorias de resistência e contrarrelógio, em distâncias que variam de 10km a 35km. O paraciclista conseguiu medalhas de ouro e bronze nas últimas etapas da Copa Brasil, em Santa Catarina e Sergipe, e se prepara para a última etapa, no mês que vem, no Rio.