RG forjado no ES faz morador do DF ser preso duas vezes por engano
Por causa de um golpe que forjava carteiras de identidade no Espírito Santo, um morador do Distrito Federal foi preso duas vezes por engano. Mesmo sem ter nenhuma relação com o estado, o homem criado em Santa Maria – a 30 quilômetros do centro do Plano Piloto – teve de passar 82 dias na cadeia por crimes que não cometeu.
Quando foi à delegacia em janeiro de 2015, o ajudante de pedreiro Márcio Batista de Carvalho descobriu que existia um mandado de prisão contra ele partindo do ES. Uma quadrilha do estado que comercializava carros furtados havia feito uma montagem com o documento de identidade dele.
“Eu nunca perdi documento. Eles tinham o número do meu RG, do meu CPF, o nome da minha mãe e até o número do cartório onde nasci em Sobradinho”, disse. Até provar a inocência, Carvalho passou 70 dias presos em Águas Lindas (GO). Um juiz do ES concedeu o alvará de soltura e reconheceu o erro da Justiça.
Um ano depois, ele foi detido novamente enquanto caminhava. “Eu vinha para a casa da minha tia para jantar e ir para a Igreja quando me abordaram. Mandaram eu colocar a bolsa no chão porque eu estava sendo autuado, que tinha um mandado de prisão do Espírito Santo”, lembrou.
“Nunca fui lá. Nem sei onde é o Espírito Santo, não. Nem sei onde é esse lugar. Ele [o policial] não quis trazer eu aqui para falar para a minha família, não deixou eu fazer ligação. Minha tia só foi descobrir três dias depois que eu estava desaparecido”, continuou Carvalho.
Tia dele, a auxiliar de escritório Arlete Vieira afirmou que não tinha informação de onde o parente estava lotado. “No momento em que ele saiu, não sabíamos onde ele estava, em que presídio estava.” Ao todo, foram mais 12 dias preso no Complexo Penitenciário da Papuda.
“Quando cheguei, me botaram para ficar sem cueca. Mandaram eu tirar a roupa na frente que quatro mulheres da enfermagem, andar de lá para cá. Ainda levei um tapa na cara”, disse. “Na cela onde caberiam só três ou seis pessoas, colocaram 14. Eu dormia no chão. Não tem colchão, coberta nem banho de sol.”
A família conseguiu ajuda da Defensoria Pública, e o mesmo juiz do ES reconheceu novamente o erro da Justiça e determinou pela segunda vez que o ajudante de pedreiro fosse solto. Também mandou recolher todos os mandados de prisão contra ele para evitar um terceiro episódio.
Por causa do constrangimento, o homem pretende acionar os tribunais, em uma ação contra o ES por danos materiais e morais. “[Quero] Justiça para eu poder limpar meu nome e mostrar que não tenho nada a ver, porque minha moral física, eu perdi tudo.”