Estudantes da UnB fazem ‘deitaço’ em prédio de relações internacionais

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Estudantes de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) fizeram nesta segunda-feira (6) um “deitaço” no edifício do curso em protesto contra proibição a alunos de deitar ou sentar no chão do prédio. O G1 não conseguiu contato com o coordenador de graduação de relações internacionais, professor Roberto Menezes.

O prédio de relações internacionais é compartilhado com o Instituto de Ciência Política. O vice-diretor do curso, Aninho Irachanda, negou que existisse uma regra explícita que impeça estudantes de deitar no chão.

“O que existe é uma regra do uso adequado de boas maneiras do espaço. Se tem alguém deitado na escada ou no saguão, onde há passagem de outras pessoas, há de convir que procurem outro espaço, porque existe um conflito de interesse no local”, disse.

O estudante José Campos foi um dos 50 alunos que participaram do ato. Ele disse ser frequentemente abordado por seguranças por estar sentado na entrada do prédio. “Querem fazer do Irel [Instituto de Relações Internacionais] um puxadinho do Itamaraty. Querem trazer toda a formalidade, mas se esquecem que ainda somos estudantes”, afirmou o calouro.

Para a estudante do 7º semestre Nadla Oliveira, a regra é “ridícula” e “elitista”. “Se a gente realmente obstruísse a passagem, seria normal, mas a gente não pode nem sentar e conversar com os amigos ou comer que já avisam que é proibido”, contou. Segunda ela, uma sala de 16 m2 destinada aos estudantes é insuficiente para realizar reuniões do Centro Acadêmico.

O protesto se dá em meio a denúncias de assédio moral na sala de aula relatadas por estudantes de forma anônima. Uma página em uma rede social foi criada para divulgar as situações, que descrevem desde comentários preconceituosos a casos de racismo.

Uma estudante que não quis ser identificada afirmou já ter discutido com um professor durante a aula. “Ele disse que mulher que não engravidasse deveria se aposentar com a mesma idade que um homem. É um absurdo. Reclamei e ele não falou mais nada”, contou.

Segundo o aluno do 4º semestre Rafael Santiago, mesmo sendo anônimos, muitos casos já são “conhecidos” pelos estudantes. “Alguns aconteceram antes de eu entrar na UnB, mas muitos eu sei qual é o professor em questão”, declarou. Ele defendeu a criação da página para denunciar as situações. “Foram tentadas as vias institucionais, mas nenhuma das vezes deu certo. Há muito corporativismo para proteger os professores.”

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