
Problemas cardiovasculares, cânceres, males respiratórios e diabetes são as doenças que mais mataram na última década na capital federal. Levantamento da Secretaria de Saúde mostra que 55,1% dos brasilienses morreram em 2014 vítimas de doenças crônicas não transmissíveis. A faixa etária entre 30 e 69 anos é a que mais morre por essas enfermidades — o que é considerado um quadro de mortalidade prematura. O dado não é apenas uma estatística. É um alerta. Autoridades em saúde e especialistas são taxativos ao dizer que a qualidade de vida na infância influencia diretamente o bem-estar dos adultos. A notícia não é boa: a expectativa é que nos próximos 20 anos se tenha uma população que adoece cada vez mais cedo por causa dos hábitos de hoje.
A gravidade e o impacto das doenças crônicas estão diretamente ligados a fatores de risco que são considerados modificáveis e pautados pela urbanização e pelo estilo de vida adotado pela população, como alimentação inadequada, falta de atividade física, tabagismo e uso abusivo de álcool. O cenário é pessimista. No DF, 50,3% da população está acima do peso — sendo 15,8% obesa; 9,7% fumantes; 70,7% não consumem frutas e verduras suficientes para uma alimentação equilibrada; e 21% bebem álcool de maneira abusiva, segundo dados da Secretaria de Saúde.
Desde 2008, a parcela entre 30 e 39 anos vem em escala ascendente por mortes de doenças crônicas. Em 2014, 6.627 pessoas morreram. Dessas, 46% pertenciam a essa parcela da população. “Estamos vivendo uma transição epidemiológica. Há 30 anos, as pessoas morriam por doenças infecciosas causadas por vírus e bactérias. Hoje, estamos morrendo por padrões errôneos de vida. A má alimentação, o sedentarismo, o fumo e o alcoolismo são fatores que trazem doenças a longo prazo”, explica Sarah Tinoco, responsável pela Área Técnica de Doenças Não Transmissíveis (DCNT) da Secretaria de Saúde.
Evitar o excesso de peso, controlar a pressão a arterial e a glicemia — sobretudo na infância — são essenciais para atenuar essa curva. “Somente em 2014, contabilizamos 214 mortes de pessoas entre 30 e 39 anos por agravantes como hipertensão, diabetes e obesidade. Fica o alerta para a mudança do padrão de vida das crianças que estão apresentado doenças crônicas cada vez mais cedo. As pessoas que morreram entre 30 e 39 ficaram doentes com 15 ou 20 anos”, analisa Sarah.
Exposição precoce
José Lima Oliveira Júnior, especialista em doenças cardiovasculares, salienta que, com o aumento progressivo da expectativa de vida da população, é esperado que as pessoas vivam mais e com melhor qualidade de vida. Entretanto, na última década, segundo o médico, fatores fora da curva epidemiológica, como derrame, infarto com sequelas e doenças renais estão acometendo as pessoas mais cedo. “Estamos pagando um preço de uma geração que não se preocupou com alimentação, atividade física e estresse. Se não começarmos a alterar esse padrão e melhorar a qualidade de vida, vamos ter uma geração de pais enterrando os filhos”, pontua José Lima.
O médico critica a falta de ações para promover a qualidade de vida. “O que temos são ações pontuais, que não ajudam na criação do hábito precocemente. O essencial é doutrinar nossas crianças a manterem práticas de alimentação e atividade física equilibradas”, reclama José Lima Oliveira.
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