Mortes na BR-251 expõem a necessidade de melhorias na rodovia

As mortes de duas pessoas na BR-251 escancararam a insegurança vivida pelos moradores do bairro Marajós, a cerca de 30 quilômetros do DF. Por volta das 14h30, Aldenor Alves de Souza, de 42 anos, teve sua motoneta atingida por um VW Polo, no km 29 da rodovia, em frente à entrada do povoado, e faleceu na hora, assim como a esposa de seu primo, Leonice Vieira Gabeira, 26, que ia de carona. Apesar de ser parte do município de Cristalina (GO), o Corpo de Bombeiros de São Sebastião atendeu a ocorrência devido à proximidade.
Foi a sétima morte noticiada pela mídia no mesmo trecho desde junho de 2013. A agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Darla Pinto não soube precisar a dinâmica da colisão deste domingo (22), mas os restos da motoneta espalhados pela pista denunciaram a violência do acidente. “Os motoristas geralmente não respeitam a velocidade por aqui. Não acontecem tantos casos por aqui, mas quando acontecem, costumam ter mortes”, lamentou.
Ela salientou que, dependendo da potência da motoneta, ela sequer deveria trafegar em rodovia, por não ter cilindrada para desenvolver uma velocidade adequada. Qualquer conclusão a respeito da batida, porém, só poderá ser tirada ao fim do trabalho da perícia. Por enquanto, a informação é que o automóvel vinha para Brasília, enquanto a moto trafegava no sentido contrário ou atravessada na pista. Após a colisão, o carro rodou e caiu no barranco ao lado.
Não foi por acaso
Diante dos corpos toscamente cobertos por lençóis improvisados, os habitantes da comunidade, escorados na mureta que deveria proteger a cidade da estrada, aproveitaram a chance de ganhar voz. “É muito acidente nessa pista. E o que revolta também é essa demora para retirarem os corpos”, extravasou a dona Nice, como preferiu ser identificada. Três horas depois das mortes, a chuva chegou antes da viatura do Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia (GO), que atende a região.
As vítimas eram primo e cunhada de Antônio Luis Martins, o Tonhão, 42. Ele foi candidato a vereador nas últimas eleições e se emocionou ao avistar os corpos cobertos. “Falta um quebra-molas, uma sinalização decente para essa pista”, reivindicou. “Se o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) não resolver, tem de vir o prefeito de Cristalina”, alfinetou.
“Uma coisa tão simples como essa poderia ter evitado a tragédia. Precisa também de iluminação, que não existe nessa pista”, complementou. O irmão de Tonhão, também primo do condutor e marido da moça, estava inconsolável na beirada da pista. Ele teria perdido o pai durante um assalto a residência, e o filho, eletrocutado, no último ano.
O senhor Isaías, cujas rugas na testa denunciaram a idade que ele não revelou, criticou a falta de investimentos no povoado, seu lar desde 1994. Para ele, a cidade foi abandonada por Cristalina e Luziânia e as mortes na estrada, frequentes segundo ele, são apenas parte do problema. “Precisa de um quebra-molas nesse trecho. Acho que só pardal (fiscalização eletrônica) não funciona. Tem muita gente que atravessa a pista de madrugada, de bicicleta, e corre risco”, desabafou.
O motorista e os passageiros do carro que atingiu a motoneta esperaram a chegada do Corpo de Bombeiros de São Sebastião e deixaram o local. Segundo os agentes da PRF, eles teriam tido receio quanto à própria integridade pois o acidente aconteceu em frente ao povoado onde as vítimas moravam. O temor teria sido de sofrerem um linchamento. Até as 17h30, quando a equipe do JBr. deixou a cena, o VW Polo permanecia derrubado contra a mata e o IML de Luziânia ainda não havia chegado.
Memória
Em junho de 2013, durante um protesto de moradores do bairro Marajós por melhorias na região, duas mulheres foram atropeladas. O motorista, que teria fugido sem prestar socorro, furou um bloqueio de pneus que as vítimas ajudavam a montar. As reivindicações envolviam melhorias em infraestrutura básica, saúde e segurança.
Em abril de 2015, no mesmo trecho do acidente deste domingo, uma colisão frontal entre uma van e um carro de passeio deixou três pessoas mortas, dentre elas, uma mulher grávida. A mulher teria sido resgatada com vida pelo Corpo de Bombeiros, mas teria falecido na viatura da corporação.
Em maio de 2016, dois carros bateram de frente na BR-251, em frente ao bairro Marajós, e uma pessoa morreu, enquanto outras sete foram resgatadas com ferimentos. Os sobreviventes foram levados para o Hospital Regional de Planaltina (HRP) e para o Hospital de Base do DF (HBDF).
