Ouvidoria recebe 13 mil queixas no atendimento da Saúde no DF

Suelen Diogo, técnica em radiologia, reclama que a falta de efetividade “afasta o cidadão da ferramenta”

Na rotina dos hospitais públicos da capital federal sobram reclamações para um dos setores mais castigados da administração pública. As falhas levaram 13.739 pessoas a registrarem queixas contra a Secretaria de Saúde na Ouvidoria do órgão no ano passado. Desse total, 60% se referem a críticas a consultas, exames e cirurgias. Para se ter ideia do volume, no ano passado, é como se a pasta tivesse recebido, em média, 3,5 advertências por dia devido à falta de medicamentos — 1.278 pacientes registraram oficialmente o problema. Há, ainda, a solicitação de 8.727 serviços.

Mais do que revelar a insatisfação do brasiliense com a área, a estatística passa a ser parâmetro para a implantação de medidas que corrijam os erros. O perfil das denúncias, segundo a Ouvidoria, ilustra um cenário que os gestores públicos talvez não conheçam. Nos últimos dois anos, o serviço atendeu 9,4% mais pessoas e chegou à marca de 27.527 reclamações no ano passado. O Hospital de Base do DF — referência em cirurgias de cabeça e pescoço — é a que mais recebe reclamações. São seis registros diários de reclamações, denúncias, solicitações de serviços e informações. No ranking, aparecem, ainda, os hospitais de Ceilândia, do Gama, de Taguatinga e de Sobradinho.
Contudo, o Executivo local enfrenta dificuldades para solucionar os questionamentos. A Secretaria de Saúde não sabe quantos são respondidos fora do prazo de 20 dias estabelecido pela Lei nº 4.990/2012 e qual o acúmulo de trabalho. Como tentativa de melhorar a interação com o usuário da rede pública, a Secretaria de Saúde estabeleceu como meta responder às demandas em tempo médio de cinco dias. Para atingir o cálculo, a pasta reformulou o processo de apuração. Os atrasos fizeram com que nove hospitais ficassem impedidos de resolver novas questões enquanto aquelas que estouraram o prazo não fossem solucionadas.
Credibilidade
Apesar da demanda, a população não reconhece a Ouvidoria como um mecanismo de resolução de problemas. A análise é feita até pela Secretaria de Saúde. “A demora é um dos fatores. A nossa intenção é nos aproximarmos mais das pessoas para que, em vez de elas reclamarem, buscarem informações. Isso é inverter o fluxo atual”, diz a chefe da Ouvidoria-Geral, Meire Machado. A apuração era feita por médicos e enfermeiros, mas ganhou no mês passado uma gerência específica para o atendimento.
Questionamos oito pacientes da rede pública para medir a impressão sobre o serviço. Quatro disseram que nunca usaram e que não acreditam na solução do problema. Três disseram que acionaram o canal, mas não tiveram retorno. Um informou que gostou dos resultados. “A descrença é porque as incertezas são maiores do que as respostas. São muitas negativas, como ‘não tem previsão’ ou ‘o paciente já está regulado’, que afastam o cidadão da ferramenta”, critica a técnica em radiologia Suelen Diogo, 30 anos.
fonte:

Otávio Augusto - CB/edição de André Silva

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