Treze mil são flagrados sem cinto de segurança em menos de dois meses

O motorista é arremessado contra o vidro e estraçalha o crânio no asfalto, a 100 metros do local da colisão. A pessoa no banco do carona tem uma leve escoriação no pescoço, mas nenhum outro ferimento. Pelo vidro estilhaçado, ela enxerga o corpo de quem estava ao volante apenas segundos antes. Um deles usava o cinto de segurança. O outro, não.
A cena ilustrada não é ficção. Acidentes graves com pessoas sem cinto terminam em ferimento ou morte. De acordo com o diretor-geral do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), Silvain Fonseca, em 90% dos casos, condutor ou o carona é arremessado do carro por estar sem o equipamento de segurança. “A responsabilidade por quem está no veículo é do motorista”, ressalta.
Os esforços do Detran-DF, no entanto, ainda não surtem o efeito esperado. Conforme o órgão, de janeiro até meados de fevereiro deste ano, cerca de 13 mil condutores foram multados por falta de uso de cinto. Em 2016, a quantidade de ocorrências superou 106 mil, uma média de 8,8 mil infrações registradas a cada mês. Para Fonseca, ambos os números são “expressivos”.
Quem vai atrás…
Em 25% das ocorrências de 2017, o equivalente a 3,1 mil, o passageiro foi responsável por fazer o motorista ser penalizado. Em todo o ano passado, esse percentual alcançou 35%, com 28,3 mil casos de passageiros sem cinto. “Quem senta atrás pensa só na questão de ser fiscalizado e não pensa na chance de acidente. Se acontecer, pode matar quem está na frente”, critica o diretor-geral do Detran-DF.
Essa consciência não está limitada às autoridades. Antônio Lourenço, 40, é taxista há seis anos e já teve de lidar com passageiros teimosos, especialmente os que acessam o veículo pela porta de trás. “A gente pede para todos usarem, mas às vezes teimam. Talvez achem que está tudo bem”, reclama. Ele relata que colegas já foram multados e reivindica: “Deveria existir mais (campanhas de) conscientização.”
Para o servidor público Sérgio Cunha, 54, a eficácia do equipamento “está comprovada”, portanto a insistência das pessoas em negligenciar o uso é “burrice”. “Tem que investir na conscientização. Mas talvez aumentar o valor da multa funcione. Quando mexe no bolso, as pessoas tendem a prestar atenção”, opina.
Investimento parado
Atualmente, a falta do uso do cinto de segurança é considerada infração grave e pode resultar em cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além de gerar cobrança de multa na ordem de R$ 195.
Este ano, o Detran-DF já arrecadou R$ 19,5 milhões entre receita de multas e prestação de serviços. Porém, nenhum real desse montante foi investido, por enquanto, em campanhas educativas, conforme o demonstrativo de despesas do órgão relativo a janeiro, disponível pelo site oficial (www.detran.df.gov.br).
O diretor-geral Silvain Fonseca, porém, garante que já existe um cronograma de ações. “Assuntos como cinto, celular ao volante e respeito pela faixa de pedestres nós queremos veicular constantemente, não fazer uma campanha especial e depois parar”, afirma.
Para ele, a publicidade educativa deve abranger vários temas de uma vez para que cada aspecto dela passe a fazer parte da rotina dos motoristas.
Fonseca destaca, ainda, que a fiscalização pode acontecer tanto fisicamente quanto virtualmente. Além dos agentes do Detran e da Polícia Militar, as câmeras de vigilância, como as instaladas ao longo da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), podem flagrar o motorista desatento e gerar uma multa em nome do dono do veículo.
