“Não lembro o porquê”, diz jovem que atirou nos pais enquanto dormiam

Um história de sobrevivência em família. Assim é a vida do jovem Nathon Brooks. Em março de 2013, quando tinha 14 anos, ele entrou no quarto de seus pais enquanto eles dormiam e disparou a pistola .22 Smith and Wesson. Ao lembrar do momento no documentário I Shot My Parents(Eu atirei nos meus pais, em tradução livre), exibido no canal de TV online BBC Three, ele afirma não saber ou entender o motivo pelo qual fez isso.

A vida de Nathon era aparentemente tranquila. Visto por colegas e familiares como um adolescente feliz, “um bom menino”, ele conta que recorda de ter flashes rápidos de “você não tem que fazer isso”, explica no documentário. “Antes que percebesse o que tinha feito, eu puxei o gatilho e a arma disparou. Eu atirei de novo, e de novo. Corri pelo corredor. Sentei nas escadas, e foi quando me dei conta do que acabara de fazer”, recorda.

Entre os tiros que atingiram os pais de Nathon, Jon e Beth, um feriu a área do rosto abaixo do olho da mãe e outro a testa do pai. Surpreendentemente, ambos sobreviveram e mantiveram a consciência. Jon ainda conseguiu ligar para polícia.

Logo após os disparos, Nathon entrou em estado de choque. Assim que saíram do hospital, Jon e Beth foram diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático. O pai revela ter “muitas, muitas, muitas noites sem dormir, com pesadelos, e várias questões para superar”.

Ao tentar resgatar o que levou Nathon a tomar a atitude agressiva, ele recorda que no dia do incidente, seus pais o tinham colocado de castigo por ter recebido uma detenção na escola. Poucas horas antes do ataque, Jon teria dito: “Vá dormir. Você terá muito trabalho a fazer e não poderá jogar (um torneio de basquete pelo qual o jovem ansiava)”. Este parece ter sido o clique fatal.

Hoje, Nathon e os pais mantém contato e parecem ter uma boa relação. Eles o visitam na prisão e falam de coisas normais, mas Jon admite que “nunca vai entender” exatamente por que o filho fez aquilo. Se abraçam e dizem “eu te amo”. A mãe diz estar feliz por estar viva, “apenas por Nathon, assim ele não terá que carregar este fardo”. O jovem, no entanto, sofre de transtorno depressivo maior (TDM).

Tudo indica que não há evidência definitiva que vincule o diagnóstico de Nathon ao crime, mas que a terapia que tem feito na prisão está ajudando a aceitar e entender o que fez. “Eu me senti muito culpado, porque como eu poderia ter feito aquilo e não saber o motivo?”.

fonte:

Metrópoles

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