Funcionários do HUB votam indicativo de greve na próxima quinta-feira

Trabalhadores do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) paralisaram as atividades na manhã desta terça-feira (20/3) e vão avaliar se entram em greve por tempo indeterminado na próxima quinta (22/3). O principal motivo alegado pela categoria é a mudança da jornada de trabalho para seis horas, sem a possibilidade do regime de plantão de 12 horas.
Eles também reclamam das condições para atendimento dos pacientes e o desrespeito nas relações de trabalho. O movimento é liderado pelo Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores da Fundação Universidade Brasília (Sintfub).
Em nota, o Hospital Universitário de Brasília informou que, dos 2.153 funcionários, 610 são da Fundação Universidade de Brasília (FUB) e que foram esses que iniciaram uma paralisação nesta terça-feira. Mas, como os demais servidores continuam trabalhando normalmente, “alguns serviços precisaram adaptar o ritmo de atendimento, mas nenhum está parado”. Além disso, finalizou dizendo que “a direção do HUB está em constante negociação com os trabalhadores para encontrar uma solução e normalizar o atendimento o quanto antes”.
O coordenador do Sintfub Mauricio Sabino afirma que o ponto central da reivindicação é a possibilidade de o horário corrido de 30 horas semanais ser cumprido em escalas pelos funcionários. A paralisação questiona ainda o contrato de gestão do hospital com a Empresa Brasileira de Serviços Privados (Ebserh). Em nota pública, o Sintfub afirma que “o contrato tem se mostrado, na realidade, o caminho para o desmonte do hospital”. O Correio entrou em contato com a Ebserh e aguarda retorno.
Coleta para exames comprometida
O setor mais atingido com a paralisação, segundo a assessoria do HUB, foi o Laboratório de Análises Clínicas, que realiza coleta para exames laboratoriais. Nesta terça-feira (20), foram atendidos apenas gestantes e moradores de cidades distantes. Os demais pacientes precisarão retornar em outras datas.
A auxiliar de enfermagem Rozangela Baia, 49 anos, aderiu à paralisação. Na avaliação dela, a alteração do regime de plantão afetará a vida de muitos trabalhadores no HUB. “Nós trabalhamos no HUB em regime de plantão (12 horas diurno ou 12 horas noturno). Esse direito de fazer 12 horas diurno foi tirado. Para quem trabalha em dois vínculos, é impraticável. Nós tentamos um diálogo e eles se fecharam. Ou nós reduzimos a carga horária ou pedimos exoneração. Fica complicado”, afirma.
Também houve manifestação na Reitoria da UnB. A objetivo inicial do sindicato era realizar o protesto no próprio hospital, mas a Justiça proibiu o ato. Segundo a coordenação do Sintfub, 120 manifestantes ocuparam a entrada do gabinete da reitora, Marcia Abrahão, no câmpus Darcy Ribeiro.
