Estudante brasileira é morta a tiros na Nicarágua

Uma universitária brasileira foi morta a tiros na noite de segunda-feira (23/7) em Manágua, capital da Nicarágua, segundo informações de uma agremiação de estudantes. O país vive uma onda de protestos desde o dia 18 de abril, quando a população rejeitou uma proposta de reforma da Previdência, que foi abandonada, posteriormente, pelo governo.
De acordo com o relato publicado no Twitter pela Coordinadora Universitaria, uma associação de estudantes universitários de oito instituições superiores nicaraguenses, Raynéia Gabrielle Lima voltava para casa na noite de segunda quando seu veículo foi alvejado perto do Colégio Americano por paramilitares que ocupam a Universidade Nacional Autônoma na capital do país.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a morte de Raynéia foi confirmada pela Embaixada do Brasil na Nicarágua. Até o momento, autoridades nicaraguenses não se pronunciaram sobre o caso.
Em entrevista à Folha, por telefone, o pai de Raynéia, Ridevando Lima, disse que a jovem morava na Nicarágua há seis anos com o marido, cuja família havia vivido antes no país. Conforme relatou, a universitária terminava sua residência médica e voltaria em breve para o Brasil. Ele a descreveu como uma pessoa estudiosa e tranquila. “Minha filha não entrava nisso de manifestação”, afirmou.
Colegas lamentam a morte da estudante brasileira.
A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusam o presidente Daniel Ortega de causar graves violações dos direitos humanos, “assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias”. O governo nega as acusações. O país vive a crise sociopolítica mais sangrenta desde a década de 80, quando Ortega também era líder.
