Pediatra suspeita de matar o filho deve deixar prisão

A médica pediatra suspeita de matar o filho e, em seguida, tentar tirar a própria vida deve deixar a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia, ainda nesta sexta-feira (24/8). Juliana de Pina recebeu o direito de ficar em uma clínica particular.
Ela estava presa havia 10 dias, na ala psiquiátrica do Hospital de Base, sob custódia de agentes da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), responsável por investigar o caso. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) emitiu a liberação no fim da tarde de quinta-feira (23/4), determinando a substituição da prisão preventiva da acusada pela internação.
A decisão veio após o pedido de análise de sanidade mental requerido pelo juiz Paulo Afonso Siqueira ao Instituto Médico Legal (IML). O laudo está sob segredo de Justiça.
Juliana foi indiciada pela polícia por homicídio duplamente qualificado e, se condenada, pode pegar pena de 12 a 30 anos de prisão. No entanto, com a nova atualização, o processo está suspenso.
A decisão já era uma possibilidade com a qual a polícia trabalhava. “Se for considerado que ela tinha incapacidade de saber o que fazia ou se sabia que era errado, mas, mesmo assim, não conseguiu impedir a ação, ela pode ficar isenta do crime e até receber uma medida de segurança”, esclareceu o delegado-chefe João de Ataliba, à época do início das investigações.
Relembre o caso
O fato aconteceu na noite de 28 de junho, no apartamento onde Juliana, 34 anos, morava com o filho, João Lucas de Pina, 3 anos. A mãe teria envenenado a criança com remédios de uso controlado. Depois, ela teria tentado tirar a própria vida, com cortes no pescoço e punhos.
Juliana chegou a dizer ao porteiro e a vizinhos que tinha matado o filho. As testemunhas levaram a mulher, o menino e a avó dele para o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). João Lucas chegou com vida ao hospital, mas não resistiu. Ele também tinha um corte na veia femural, mas o laudo apontou que ele morreu provavelmente pelos efeitos do remédio, que causaram “insuficiência respiratória por intenso edema pulmonar”.
A mãe deu entrada no Hospital de Base no mesmo dia, em estado grave, depois de ter se cortado com bisturi em vários pontos do pulso e do pescoço. Em depoimento na 1ªDP, o pai da criança, um enfermeiro de 28 anos, afirmou que Juliana era uma boa mãe, mas apresentava um quadro de depressão desde 2016.
No interrogatório, o pai contou ainda que a ex-mulher havia dito, por telefone, que “o filho já estava encaminhado e que ela queria engolir um bisturi”, o que deu a ele a impressão de que ela poderia tentar tirar a própria vida.
