Acusados de explodir caixas fortemente armados em hotel no DF viram réus

A 7ª Vara Criminal de Brasília aceitou denúncia do Ministério Público do Distrito e Territórios (MPDFT) contra os quatro acusados pela explosão de caixas eletrônicos no hotel Golden Tulip, próximo ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. O crime ocorreu em 28 de março deste ano.

Segundo o juiz Newton Mendes de Aragão Filho, “o inquérito policial reúne elementos mínimos que embasam, a priori, a narrativa, assim como a materialidade dos fatos e os indícios de autoria”. Com a decisão do magistrado, tornam-se réus: Jaisson Alves de Jesus, Mikael Mafra Dantas, Thiago Alves Simões e Andrevaldo Ferreira de Souza.

Os assaltantes estavam fortemente armados e renderam os funcionários do hotel de luxo, conhecido por hospedar empresários, artistas e autoridades que visitam a capital do país. Os homens colocaram explosivos no local e detonaram os artefatos. Toda a ação durou cerca de dois minutos. Um dos carros usados na fuga dos bandidos foi encontrado pela polícia na Asa Norte.

Thiago é apontado pela polícia como o mentor intelectual das explosões. Além de ser um dos braços armados da quadrilha, o criminoso organizava toda a logística, o posicionamento e a cronologia das detonações. Conhecido como TH, o suspeito – que está com a prisão preventiva decretada – também era o responsável pela partilha do dinheiro retirado dos caixas eletrônicos.

Jaisson, outro foragido apontado como figura de destaque na quadrilha, tinha uma função fundamental nas ações. Com habilidades em marcenaria, o suspeito produzia os próprios explosivos usados pelos criminosos. O bando comprava rojões em lojas de fogos de artifício para retirar a pólvora.

Em seguida, Jaisson produzia recipientes de um material chamado “metalon”, espécie de tubo metálico galvanizado. Os explosivos eram moldados artesanalmente e usados nos ataques.

Segundo o coordenador da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), delegado André Leite, não existe qualquer ligação entre a quadrilha e facções criminosas, como se chegou a cogitar.

“São criminosos do DF e do Entorno que chegaram a um nível de organização capaz de realizar esses ataques. Com novas linhas de investigação, tivemos sucesso em identificar todos e prender metade do bando. É questão de tempo até que todos estejam atrás das grades”, afirmou o delegado.

Lavagem em bailes funk
Ainda de acordo com os investigadores, Thiago Simões tinha uma empresa chamada Feroz Produções de Eventos, responsável por organizar a festa de funk Baile dos Chefes em Ceilândia e no Entorno do DF. Após os crimes, o suspeito costumava fazer grandes eventos para supostamente lavar o dinheiro arrecadado com os assaltos.

Ao todo, nove integrantes da quadrilha foram identificados, sendo que cinco deles já estão presos – quatro preventivamente e dois temporariamente. As apurações, conduzidas pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), vinculada à Corpatri, intensificaram-se depois da ação audaciosa no Golden Tulip, na qual cerca de R$ 470 mil foram levados dos caixas.

Explosão de caixa eletrônico no Royal Tulip:

https://youtu.be/-rr6ZSZSsKQ
fonte:

Metrópoles / MIRELLE PINHEIRO