Superlotação: Hran restringe atendimento a casos graves

Superlotado, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), uma das maiores unidades de saúde do Distrito Federal, está com atendimento restrito. Teve gente que esperou desde a tarde de quarta-feira (22/05/2019) e não tinha sido chamado no começo da manhã desta quinta (23/05/2019).
“A direção do Hospital Regional da Asa Norte esclarece que o atendimento para clínica médica e pediatria está restrito a casos com classificação vermelha. Tal medida é necessária diante da superlotação de pacientes internados na unidade”, informou a Secretaria de Saúde.
De acordo com a pasta, a clínica médica, por exemplo, conta com 58 leitos, mas 102 pacientes estão internados. “Hoje, estão escalados quatro clínicos e dois pediatras. Os profissionais revezam o atendimento entre os pacientes internados e os que chegam de porta com classificação vermelha”, pontuou a secretaria, em nota.

“Várias pessoas estão esperando desde as 17h da tarde de quarta-feira. Estão com pulseira laranja, que indica muito urgente, porém não estão sendo atendidos. É um descaso com a população e falta de ética, pois os médicos de plantão não atendem”, descreveu uma das pacientes. Muitas pessoas desistiram de esperar depois de serem avisadas de que não haveria atendimento mesmo os pacientes estando identificados pela triagem como muito urgente.
Falta de macas
A diretora comercial Sandra Aparecida, 36, registrou na quarta-feira (22/05/2019) uma cena em que há um paciente deitado no chão. Ele aguardava atendimento na enfermaria do Hran quando a foto foi tirada, conta a mulher, embora ela não saiba a identidade do homem ou por quanto tempo esperou. O rosto está coberto por um lençol de propriedade do hospital.Sandra acompanhava Maria, sua mãe, de 57 anos, que precisava ser internada. Inicialmente, haviam comparecido ao Hospital de Base. Maria teve um acidente vascular cerebral (AVC) pela manhã, por volta de 8h, e foi levada pelas filhas ao Hospital de Base. A mulher desmaiou na porta do local antes de ser atendida.
Em seguida, teria sido encaminhada ao posto de saúde na 612 sul, pois o Base estaria lotado. Maria retornou ao hospital após exames e acabou transportada para o Hran.
De acordo com a professora Gabriela Aparecida, 22, a outra filha de Maria, o tempo de espera no Hran foi em torno de quatro horas. Não havia espaço para todos os pacientes, razão pela qual os bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) cederam as próprias macas. Alguns equipamentos para exames também estariam sem funcionar.
Gabriela afirma que a situação foi amenizada na quinta-feira (23/05/2019), após o Hran restringir o atendimento para clínica médica e pediatria.
