Jaqueline Silva avalia seus cinco meses de mandato

A parlamentar definiu seu mandato como “compartilhado”, denotando estar disponível para opiniões, criticas e sugestões da população

A empresária e moradora de Santa Maria Jaqueline Silva se elegeu, após quatro tentativas, ao cargo de deputada distrital pelo PTB. Ela assumiu em 1º de janeiro deste ano e trouxe consigo várias propostas.

A parlamentar definiu seu mandato como “compartilhado”, denotando estar disponível para opiniões, criticas e sugestões da população. Ela já tem em seu currículo a aprovação da “lei do Cartão Material Escolar”.

Com ele, mais de 60 mil estudantes beneficiários do programa Bolsa Família podem comprar, em mais de 330 papelarias previamente cadastradas, itens escolares. A eles é concedido um crédito cujo valor varia entre R$ 240 e R$ 320.

“É uma ideia que beneficia tanto o empresariado quanto o aluno”, classifica a distrital. Confira, na íntegra, a entrevista exclusiva de Jaqueline Silva ao Jornal O Democrata.

O Democrata: Como que a senhora avalia esses cinco meses de mandato?

Jaqueline Silva: Tem sido desafiador, porque de fora, você tem uma imaginação do processo, mas quando entra, vê que é outra coisa. Esbarramos em muita burocracia e isso impede que a gente possa fazer as entregas no nosso tempo. Mas, em contrapartida, eu faço uma boa avaliação desse período. Esses cinco meses foram desafiadores, porém conseguimos fazer muitas entregas.

OD: Qual foi o principal feito nesse período e por quê?

JS: Nós conseguimos fazer uma belíssima entrega que foi a do Cartão Material Escolar. Quando a gente fala nele, estamos falando de 333 papeleiros que se cadastraram e tiveram a oportunidade de vender e, com isso, gerar empregos e a gente tá falando de mais de 65 mil alunos que receberam esse auxílio. Então, eu tenho dito que é uma belíssima entrega, que você consegue ajudar tanto na questão social, quanto no desenvolvimento econômico, pois eles geraram mais de 600 empregos diretos.

OD: De tantos programas cancelados em gestões passadas, por que a deputada escolheu exatamente o Cartão Material Escolar para retornar com um projeto de Lei?

JS: Porque você consegue ajudar tanto o empresariado, que está fechando suas portas, mas também pelo fato de poder ajudar aquele aluno que recebe o Bolsa Família e que tem todas as privações possíveis e você consegue dar a ele a dignidade para que ele escolha seu material escolar. Então, pela oportunidade que eu tive de conhecer os dois lados, porque eu tive uma infância muito difícil e também por ter conhecido o lado empresarial, a gente considerou que esse era um programa que deveria voltar.

OD: Qual é a sua principal bandeira e por quê?

JS: A nossa bandeira central é o desenvolvimento econômico. Eu penso que se o governo não atrapalhar, já ajuda os empresários. Vemos a cada dia que passa mais comércios fechados e isso é consequência da ausência do Estado. O DF tem mais de 300 mil desempregados e a única maneira de você ajudar essas pessoas é potencializando os empresários locais, seja ele micro, pequeno ou grande. O que temos feito? O DF compra muito, mas não compra das empresas de Brasília e isso é o que a gente tem combatido.

OD: Os deputados de primeiro mandato, como é o seu caso, receberam R$ 11 milhões de emendas para destinar. Onde a senhora aplicou esse dinheiro?

JS: Foi muito difícil esse momento porque a gente precisava fazer algumas escolhas. Fomos ouvindo os desejos da comunidade e então fizemos os encaminhamentos. A cidade onde eu moro, Santa Maria, é uma cidade que precisa de tudo. Então, destinei R$ 9 milhões para lá e fizemos algumas indicações para o Gama. Em Santa Maria priorizamos algumas obras que a comunidade cobra muito da gente.

OD: Quais obras são essas?

JS: Nós separamos três obras que são os “carros-chefes” da cidade de Santa Maria. A primeira é o terminal rodoviário da cidade. Antes de liberar o recurso, tivemos o cuidado de procurar a Terracap para resolver sobre a sessão de uso da área. Destinamos R$ 1 milhão para começar as obras e estamos procurando outros distritais que queiram somar conosco. O deputado Rafael Prudente já disponibilizou R$ 500 mil, então estamos com R$ 1,5 milhão para começar a obra. A segunda que o pessoal tem cobrado muito é o asfalto da pista de acesso ao residencial Total Ville. Fizemos um projeto que contemplava toda a extensão da pista, então reservamos um valor para iniciar a obra. Nos próximos créditos que tivermos, iremos enviar mais recursos e buscamos parceiros para que a obra seja continuada. E temos também a feira de Santa Maria. Ela tem uma certa estrutura, mas falta muita coisa por lá.

OD: E o Gama?

JS: Nós destinamos também recursos para o calçamento no Setor Sul do Gama, porque as pessoas pedem muito. Destinamos emendas para Santa Maria, para Gama e também para o Riacho Fundo I. É bom lembrar que é o nosso primeiro recurso que temos por destinação de emendas. Agora a gente tem escutado a comunidade, ido em outras cidades e a nossa intenção é visitar outras cidades.

OD: A senhora foi eleita tendo como base eleitoral a cidade de Santa Maria. Mas como pretende atender a outras cidades-satélites?

JS: Eu sempre falei que sou moradora de Santa Maria e tenho um compromisso especial com a cidade e com o Gama, que fazem parte da Saída Sul. São mais de 300 mil moradores dessa região que precisam de uma atenção do poder público. Mas eu sou uma deputada distrital de todo o DF e nós temos, na medida do possível, seja com destinação de emendas, seja com indicações, seja com reivindicações, chegar até essas outras cidades. Tem como você utilizar o instrumento do mandato para você poder ajudar as outras cidades.

OD: Como é seu relacionamento com o poder Executivo, na pessoa do governador Ibaneis Rocha?

JS: Nosso relacionamento é tranquilo. Preciso deixar claro que, independente de mantado ou cargos, nós temos o nosso trabalho e sempre tivemos as nossas lutas. Ele acolheu a ideia do cartão Material Escolar e está fazendo uma série de pacotes para ajudar os nossos empresários. Isso me alegra muito, pois estou sentindo da parte dele uma disposição muito grande de tentar trazer melhorias aqui pra nossa cidade. Eu estou otimista e muito confiante de que ele, de fato, quer fazer uma grande revolução.

OD: E a sua relação com os demais parlamentares?

JS: De muita tranquilidade. Temos um respeito muito grande de deputado para com deputado. Cada um tem sua base e isso é muito bacana, porque quando chega uma pauta de uma base que aquele deputado representa, existe diálogo para que aja uma ajuda para trazer aquilo que há de melhor.

OD: Quanto a Kelly Bolsonaro, deputada que assumiu a cadeira de Daniel Donizet. O que a senhora pensa sobre a parlamentar, já que esta também é moradora de Santa Maria?

JS: Durante o processo eleitoral, me encontrei com ela várias vezes. Eu não vejo problema, sou uma pessoa muito tranquila. Acho que, na vida, você deve ter amigos e ajudar um ao outro. Eu acho que agora Santa Maria vai ter a oportunidade de ter duas deputadas que vão se unir para que possamos fazer um belíssimo trabalho por lá.

OD: Sobre a saída de Daniel Donizet da CLDF para assumir a administração regional do Gama, o que a senhora achou da escolha dele para ocupar esse cargo?

JS: Eu acho que o deputado está com muita vontade de fazer um bom trabalho. Eu tenho percebido por parte dele um carinho muito grande pelo Gama e que, ao meu ver, é legal. Eu acho que as pessoas precisam aproveitar essa disposição do deputado. Então, eu vejo com bons olhos de que ele realmente quer fazer uma boa entrega. Destinamos emendas para o Gama que vão permanecer na cidade.

OD: E como é seu relacionamento com o administrador de Santa Maria, Miro Gomes?

JS: Também é uma relação muito tranquila, eu acredito muito nele, confio muito nele. As cobranças são muitas e a gente faz essas cobranças porque também acolhemos elas. Claro que, não dá pra atender todas as demandas em um tempo recorde, mas a gente se esforça para atender tudo.

OD: Recentemente, a senhora foi empossada como presidente do PTB do DF. Como é o seu trabalho à frente da legenda? Quais são os desafios?

JS: Quando pegamos o partido, ele tinha uma série de problemas. O partido teve uma falha no envio da sua documentação, que trouxe para nós uma situação jurídica e eu mesma quase não tomei posse por conta disso. Tal fato deixou muita gente desanimada. E a gente conseguiu convencer esses filiados a permanecer na legenda e mais do que isso, buscar outros para fortalecer o partido e é isso que a gente tem feito. O partido hoje está mais forte do que antes, com uma nominata suficiente para garantir, no mínimo, dois deputados distritais e um federal. E tudo isso com sinceridade, sem barganha de cargo. O PTB do DF está vivendo um novo momento.

OD: E para o restante do seu mandato, o que a senhora espera?

JS: A expectativa é de muito trabalho e, mais do que isso, eu tenho falado que a gente demorou muito para chegar na Câmara Legislativa. Então, nós temos uma missão de entrega, de deixar um bom legado e é isso que a gente tem lutado para a gente conseguir fazer. É lógico que a gente não consegue fazer as coisas tão rápido, mas eu peço confiança das pessoas. E a gente tem como expectativa essa participação das pessoas para que, de fato, a gente consiga fazer uma belíssima gestão.

fonte:

O DEMOCRATA