Cappelli defende união de partidos de esquerda e de centro-esquerda

A convenção regional do PSB oficializou, nesta segunda-feira (3/8), a candidatura de Ricardo Cappelli ao Palácio do Buriti nas eleições de 2026

Convenção regional do PSB -  (crédito:  Minervino Júnior/CB)

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) oficializou, nesta segunda-feira (3/8), a candidatura de Ricardo Cappelli ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026. Durante a convenção regional da legenda, realizada na Associação dos Docentes da Universidade de Brasília, dirigentes, parlamentares e apoiadores defenderam o nome do ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) como representante do campo progressista na disputa pelo Palácio do Buriti e destacaram sua experiência na administração pública federal e na condução da intervenção na segurança pública do DF, após os atos de 8 de janeiro de 2023.

Em entrevista coletiva, antes de ser oficializado, Cappelli afirmou que as prioridades de uma eventual gestão serão a saúde e a educação. Ele defendeu mudanças na administração do Banco de Brasília (BRB) e voltou a pregar a união do campo progressista em torno de sua candidatura.

Ao tratar da saúde pública, o candidato classificou a situação da rede como crítica e prometeu reduzir as filas por atendimento. Segundo ele, a ideia é criar um programa voltado para reorganizar o sistema, ampliar o quadro de profissionais e melhorar a gestão da Secretaria de Saúde.

Na educação, Cappelli prometeu valorizar os profissionais da rede pública e afirmou que pretende elevar a remuneração dos docentes do Distrito Federal ao maior patamar do país. Como exemplo, citou sua passagem pelo governo do Maranhão, quando trabalhou ao lado do então governador Flávio Dino.

O socialista também prometeu ampliar a realização de concursos públicos para reduzir a contratação temporária de docentes. “Não é possível que, na educação, a gente tenha dois terços de professores temporários e apenas um terço de concursados. Isso é prioridade para nós”, afirmou.

Questionado sobre a situação do BRB, Cappelli disse que a instituição precisa retomar o foco em sua atuação regional e rever despesas consideradas excessivas. Para o candidato, a recuperação do banco passa pela responsabilização dos responsáveis pelos desvios e pela revisão da estratégia de expansão da instituição. “O que o BRB está fazendo no Tocantins, no Nordeste e em São Paulo? Tem que cortar excessos e patrocínios absurdos. Não é possível financiar eventos enquanto o banco enfrenta essa situação. O BRB tem salvação com gestão séria”, afirmou.

O socialista voltou a defender a unidade dos partidos de esquerda e de centro-esquerda na disputa pelo Palácio do Buriti. Ele afirmou que seguirá buscando um entendimento com o Partido dos Trabalhadores até o prazo final para registro das candidaturas. “Estamos nessa caminhada há 19 meses. Hoje aprovamos nossa candidatura, e vou lutar até o dia 15 de agosto pela unidade do nosso campo”, disse.

O candidato revelou, ainda, que ofereceu ao PT a indicação do nome para a vice-governadoria e argumentou que a legenda já ocupa um espaço na chapa majoritária com a candidatura da deputada federal Erika Kokay ao Senado. “Esperamos que o partido tenha bom senso e indique o vice para que possamos unificar o nosso campo. O próprio nome do Grass seria muito bem-vindo”, concluiu.

Durante o discurso de oficialização da candidatura, Cappelli afirmou que pretende fazer uma campanha baseada no diálogo com a população e na apresentação de propostas para áreas consideradas prioritárias. “Vamos percorrer cada cidade do Distrito Federal e conversar com as pessoas, olhar nos olhos e mostrar que é possível fazer um governo sério, eficiente e comprometido com quem mais precisa. Nosso compromisso é devolver a esperança ao povo de Brasília”, afirmou.

Cappelli afirmou que pretende priorizar a eficiência na gestão dos recursos públicos. “O DF tem dinheiro. O que falta é planejamento, gestão e compromisso com a população. Não podemos aceitar que as pessoas continuem esperando meses por uma consulta, por um exame ou por uma cirurgia”, afirmou.

Ao encerrar o discurso, o candidato convocou os militantes para o início da campanha e disse que o PSB entra na disputa confiante. “Nós vamos às ruas com coragem, humildade e muita disposição para apresentar um projeto capaz de transformar o Distrito Federal. Eu tenho convicção de que nós vamos surpreender muita gente e construir uma grande vitória em 2026”, concluiu.

Apoios

Na convenção do partido, os ex-governadores Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, candidatos a deputado federal pelo PSB, manifestaram apoio à candidatura de Cappelli ao GDF. Cristovam afirmou que a legenda tem a responsabilidade de apresentar uma alternativa para o comando do Palácio do Buriti. Em seu discurso, o ex-governador também fez um apelo pela unidade das forças progressistas em torno do nome do socialista.

Segundo Cristovam, a militância do partido não pode se omitir diante do cenário político local. Para o ex-governador, o PSB apresenta o melhor nome para a disputa ao Palácio do Buriti. “Temos o melhor nome para ser o próximo governador do Distrito Federal. Não temos o direito de ficar em casa quando temos alguém preparado para governar.”

Rollemberg destacou a atuação de Cappelli durante a intervenção federal na segurança pública do DF, após os atos golpistas do 8 de Janeiro. “Temos, de longe, o melhor candidato a governador do Distrito Federal. O Distrito Federal lhe deve muito, e o Brasil lhe deve muito. O Brasil correu um sério risco”, afirmou.

Ao defender a construção de alianças, Rollemberg ressaltou que o partido está aberto ao diálogo, mas rejeitou uma posição secundária nas negociações. “Estamos de braços abertos para construir uma grande frente, mas não vamos nos submeter. Nós não somos um partido secundário. O último governador eleito do campo progressista desta cidade foi do PSB. Nós temos o melhor candidato e vamos levá-lo ao segundo turno”, declarou.

Na noite de domingo, a candidatura de Cappelli ganhou o apoio do teólogo e filósofo Leonardo Boff. Em publicação nas redes sociais, Boff também elogiou a atuação de Cappelli durante a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal. “Apoio o Cappelli para o governo do Distrito Federal. Mostrou coragem e força de decisão quando da devastação das Três Casas da República. É determinado e ético. Brasília merece uma pessoa assim de caráter forte e com senso de justiça”, escreveu.

Além das candidaturas de Cappelli, Cristovam e Rollemberg, o PSB apresentou outros sete cadidatos a deputado federal e 17 a deputado distrital.

Democrata lança 34 candidatos

O Democrata oficializou, ontem, durante convenção distrital realizada no auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o apoio à reeleição de Celina Leão (PP) ao Buriti e a nominata do partido para as eleições de 2026. Ao todo, o partido lançou 25 candidatos a deputado distrital e nove a deputado federal. O encontro reuniu pré-candidatos, filiados, dirigentes e apoiadores da legenda.

A presidente do Democrata no Distrito Federal, Natália Ribeiro Nobre Miranda, destacou a mobilização em torno da convenção. Segundo ela, a quantidade de pessoas interessadas em acompanhar o encontro foi superior à capacidade do espaço. “Este auditório ficou pequeno e nós tivemos que orientar os nossos pré-candidatos que não trouxessem muita gente, porque não teria como caber”, afirmou.

A presidente ressaltou que os candidatos chegam à disputa com propostas e objetivos próprios. “Todos os nossos pré-candidatos têm um propósito, têm um ideal, querem realmente fazer a diferença”, disse.

Segundo Natália, a expectativa é de que a estrutura montada contribua para o desempenho da legenda nas urnas. “É o que vai nos fazer realmente ter o sucesso que todos aqui merecem nessas eleições”, afirmou.

A convenção contou com a participação da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Durante o discurso, ela afirmou que pretende apoiar a nominata do Democrata durante a campanha e projetou a eleição de dois deputados distritais pela legenda. 

Celina pediu que os integrantes da nominata evitem disputar votos entre si. “Vocês não precisam de tirar voto de gente que está dentro dessa nominata. Nós vamos tirar voto de gente que está do outro lado, contra nós”, disse.

A formação das nominatas ocorre durante o período de convenções partidárias, que antecede o registro oficial das candidaturas. A partir da definição dos nomes, os partidos avançam para a organização das campanhas e para a disputa eleitoral de outubro.

Para Natália, a mobilização demonstrada durante a convenção reforça a estratégia da legenda para o pleito. A dirigente afirmou que o partido pretende transformar o engajamento dos apoiadores em desempenho nas urnas e destacou o caráter popular da composição apresentada pelo Democrata.

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fonte:

Correio Brasiliense

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