Vendas despencam 6,4% no DF

O ano de 2016 foi péssimo para os lojistas do DF, e a empresária Ana Amorim, 42, sabe bem disso. Ela é dona de uma loja de acessórios para celulares no Setor Comercial Sul e relata queda no volume de vendas e até na margem de lucro do seu micronegócio.
“Nos outros anos a gente chegou a vender até R$ 600 por dia. Atualmente, tem dia que não chegamos a R$ 100”, lamenta Ana, que administra a loja com ajuda da amiga Januza Farias, 43. “Antes fazíamos a terceirização dos serviços de manutenção de celulares, mas agora temos que prestar o serviço nós mesmas para diminuir os custos”, expõe Januza.
Conforme a Federação do Comércio (Fecomércio), as micro e pequenas empresas como a de Ana e Januza representam 90% do mercado varejista do DF. Um estudo da instituição aponta que essa fatia perdeu 6,19% em vendas, no comparativo com 2015. Mesmo levando em consideração apenas o ano passado, o resultado foi desanimador. De janeiro a dezembro houve redução de 6,45% na quantidade de produtos comercializados.
“Isso se deve à crise que vivemos e ao endividamento das famílias, dentre outros fatores”, acredita o presidente da Fecomercio, Adelmir Santana. Ele garante não ter se surpreendido com os resultados e projeta uma recuperação apenas a partir do segundo semestre de 2017. “As medidas que estão sendo tomadas, como regular as despesas públicas dão um alento. Mas é preciso que a reforma da previdência e trabalhista aconteçam mais rápido para melhorar a confiança do consumidor”, sugere.
Enquanto isso não acontece, empresárias como Ana e Januza só podem esperar pelo melhor, sem muito poder para reverter a situação a curto prazo. “É difícil até fazer alguma previsão. Mudou o governo, mas a gente não viu melhora”, critica Ana, que ainda revela como as “vacas magras” mudaram o perfil do seu cliente.
Segundo a mulher, seu negócio deixou de vender aparelhos celulares devido à baixa demanda associada aos impostos altos. “O cliente de hoje não quer comprar celular, ou peças. Eles estão gastando o mínimo possível, então preferem fazer manutenção. E é só por isso que a gente sobrevive”, desabafa.
Muda também o perfil do consumidor
Dono de uma loja de ferramentas no Setor Comercial Sul há 20 anos, Osvaldo Lopes, 69, alfineta seus colegas de profissão. “Comerciante tem o hábito de chorar muito. Eu não senti essa queda toda”, desafia. Segundo ele, a única mudança nos últimos anos foi no perfil do comprador, mas suas vendas teriam se mantido.
“Meus clientes são daqui (do Setor Comercial) mesmo. É uma das poucas lojas do tipo da região e ninguém vai andar muito. Atendo principalmente a empresas. Quando havia os camelôs, o movimento era até melhor”, analisa. O único temor de Lopes é que o número de desempregados cresça nos próximos meses.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Edson de Castro, compartilha da visão do comerciante. “A Fecomercio faz um apanhado geral, então se os segmentos mais fortes caem, puxam todo mundo”, explica. “Em lojinhas de confecção e sapatos por exemplo, o desempenho de janeiro já foi muito bom”, ressalva, mesmo sem citar números.
