Após dias chuvosos, volume de barragens aumenta e chega a metade

Trinta e dois dias depois da implantação do plano de racionamento em áreas abastecidas pela Barragem de Santa Maria/Torto, o nível das águas no local chegou à metade de sua capacidade. Ontem, a última medida contabilizava o índice de 50,25%. Seguindo o ciclo de melhora, o reservatório do Descoberto alcançou 49,27%. Mesmo com os resultados positivos da economia de água e com as últimas chuvas registradas, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) não planeja suspender o rodízio. Pelo contrário, o governo estuda a possibilidade de aumentar em um dia o plano de racionamento. A preocupação é com a garantia de recursos hídricos para o período de estiagem.

A ampliação significa que as regiões abastecidas pelas duas barragens passariam a ficar dois dias por semana sem água nas torneiras — medida nem um pouco bem-vista pela população. Técnicos da companhia continuam acompanhando a evolução do cenário hídrico do Distrito Federal. Toda a preocupação do órgão é com o período de seca, que se inicia em maio. Para se ter ideia, enquanto hoje a comemoração é pelo fato dos dois reservatórios estarem alcançando metade da capacidade, no mesmo período do ano passado, ambos estavam em 100%.

Nesses últimos meses, os brasilienses tiveram que mudar os hábitos para não ficar sem água em casa e no comércio. Ontem, a Asa Norte foi uma das áreas atingidas pelo plano de racionamento. Moradora da 709 Norte, Adriane Maria de Carvalho, 43 anos, viu a rotina da residência mudar. Com nove filhos, ela teve que reeducá-los. “O controle é, principalmente, com a hora do banho. A preocupação é para não ficar totalmente sem água”, contou. Por lá, a professora também tomou algumas medidas. Na área de serviço, um galão serve para guardar a água da máquina de lavar para usar nos afazeres domésticos. Na cozinha, o marido instalou uma espécie de reservatório com uma torneira, que serve para a lavagem das louças. “É um pouco ruim viver nessa situação, mas sabemos que é essencial para não ficar sem nada no futuro.”

Em uma lavanderia da 410 Norte, não é possível realizar a principal atividade em dias de racionamento. Ontem, a atendente Gabriela Silva, 33, apenas conseguiu passar as roupas. A situação se repete a cada seis dias, quando é suspenso o abastecimento na região. “Infelizmente, não é possível atender aqueles clientes que pedem a lavagem com urgência. Com isso, estamos tendo alguns prejuízos. Como não temos caixa-d’água no prédio, o único jeito é trabalhar com agendamento do serviço”, detalhou. A possibilidade de instalar algum sistema de armazenamento ainda é distante, uma vez que a demanda do estabelecimento é grande.


Chuvas

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas ocorridas entre a noite de quarta-feira e ontem contribuíram para atingir 95% da média de precipitações de março. Até a última medição, a estação meteorológica registrou um volume de chuvas de 172,2mm em todo o Distrito Federal — a média para o mês é de 180,6mm. “As precipitações ocorreram em virtude de áreas de instabilidade causada pelo calor e também pela umidade vinda da Região Norte do país. Essa chuva pode contribuir um pouco com a situação dos reservatórios, principalmente se atingir os afluentes que o abastecem”, detalhou o meteorologista Mamede Luiz Melo.

Como medida para garantir o abastecimento de água, a Caesb captará água do Lago do Paranoá. Segundo a companhia, está programado para hoje o pregão para contratação da empresa para realizar as obras. As áreas abastecidas pelo Santa Maria/Torto receberão o reforço. O plano é de que cerca de 700 litros de água sejam captados por segundo e distribuídos para Lago Norte, Varjão, Setor de Mansões do Lago Norte, Taquari, Paranoá e Itapoã. Segundo a Caesb, com relação às obras do Córrego Bananal, 15% foram executadas e a previsão de início de operação é para novembro

fonte:

Correio Braziliense

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