Servidor do sistema carcerário é infectado por doença que afeta presos

Os servidores do sistema carcerário estão preocupados com a notícia de que um agente policial de custódia foi afastado das atividades por contrair uma infecção na pele. O homem foi diagnosticado com impetigo — ao lado da escabiose (sarna), a enfermidade afetou ao menos 2.095 presos do Complexo Penitenciário da Papuda e contaminou até mesmo parentes durante as visitas nos últimos meses. O caso é o primeiro registrado entre as pessoas que trabalham no sistema carcerário do Distrito Federal.

A doença provoca coceira intensa, feridas e bolhas purulentas na pele. O profissional está de atestado médico e ficará afastado das funções até que o tratamento seja concluído. Atualmente, ele usa antibióticos para conter o avanço da doença.

João*, que trabalha há 15 anos no sistema penitenciário, é lotado no Centro de Progressão Penitenciária, o (CPP), localizado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Ele começou a apresentar os sintomas de impetigo na segunda semana de julho. Segundo a Associação dos Agentes Policiais de Custódia da Polícia Civil do DF (AAPC), o servidor acredita que pode ter sido contaminado por algum preso da Papuda transferido para a unidade do SIA, onde ficam detentos do regime semiaberto.

A associação teve acesso ao laudo médico do servidor e chegou a publicar um texto de alerta na página institucional da entidade. No documento, são dadas instruções de prevenção ao impetigo e à escabiose.

Pela primeira vez tivemos a notícia de que um dos nossos servidores foi contaminado. Isso faz nossa preocupação aumentar. Medidas drásticas precisam ser tomadas com celeridade, antes que se torne uma epidemia e mais servidores sejam acometidos pela doença

Carlos Lima, presidente da AACP

Ao Metrópoles, o dirigente informou que pedirá uma reunião de emergência com os profissionais da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) para buscar uma solução o mais rápido possível.

Vistorias
Órgãos como o Conselho de Direitos Humanos do Distrito Federal (CDHDF) e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados também já cobraram providências à Sesipe.

Integrantes do CDHDF e da CDHM visitaram a Papuda na sexta-feira (28/7) para verificar a situação dos doentes e constataram que muitos presidiários ainda apresentam sintomas da doença. “Em uma cela com 40 detentos, encontramos 35 infectados. Muitos presidiários relataram não terem sequer passado por atendimento. A situação é preocupante”, afirmou Michel Platini, presidente do CDHDF.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social na manhã desta segunda-feira (31/7). No entanto, não havia recebido resposta até a última atualização desta matéria.

Risco
O surto de doenças infecciosas na Papuda foi revelado pelo Metrópoles em 13 de julho. Na ocasião, 10 esposas de detentos da Penitenciária do Distrito Federal 1 (PDF 1) relatavam ter lesões nos braços e nas pernas. Depois de pedidos da Justiça e do MPDFT, a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social iniciou o tratamento dos presos em cinco das seis unidades da capital.

Desde então, foram identificados 2.095 contaminados. Mas a força-tarefa de contenção ainda não foi suficiente. Há contaminação nas PDFs 1 e 2, no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Centro de Internamento e Reeducação (CIR) e no Centro de Progressão Penitenciária (CPP).

As seis unidades que compõem o Sistema Penitenciário do DF têm, juntas, 15.311 detentos: 3.527 estão do CDP; 2.209 no CIR; 3.777 na PDF I; 3.652 na PDF II; 1.382 no CPP e 764 na Penitenciária Feminina (PFDF), a Colmeia.

Por meio de nota enviada na semana passada, a Sesipe informou que 25 celas do CDP já haviam sido higienizadas a fim de evitar novos casos. “Nas demais unidades prisionais [CIR, PDF 1 e 2 e CPP] houve limpeza geral. Os internos também foram orientados”, disse a subsecretaria.

*Nome fictício 

fonte:

Metrópoles

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