CLDF volta aos trabalhos hoje com olhos voltados às eleições de 2018

A Câmara Legislativa (CLDF) volta aos trabalhos nesta terça-feira (1º/8) após o recesso e, no horizonte, já vislumbra as eleições de 2018. A disputa pela reeleição ou por voos mais altos — como o Congresso Nacional — passará a fazer parte da ordem do dia, mas o caminho até as urnas não será tranquilo. Se por um lado o presidente da Casa, Joe Valle (PDT), quer foco na produtividade, por outro, a instituição terá que lidar com os esqueletos no armário. O mais grave deles é a Operação Drácon, que investiga cinco deputados por suposta cobrança de propina.

A vida na CLDF nesta última etapa de 2017 será marcada “pelo comportamento dos deputados com um olho nas pautas e outro no eleitorado”, afirma o analista político Melillo Dinis, do Instituto Lampião-Reflexões e Análises da Conjuntura.

Segundo o analista, a população também estará mais atenta aos movimentos dos distritais, tanto na produção legislativa quanto nos assuntos referentes à moralidade. “A questão da ética dos parlamentares vai demonstrar se a Câmara sabe separar ou não o joio do trigo”, afirma. O especialista se refere à Operação Drácon, que atualmente está sob análise da Justiça. Hoje, cinco parlamentares são réus por corrupção passiva e aguardam julgamento: Celina Leão (PPS), Cristiano Araújo (PSD), Bispo Renato Andrade (PR), Raimundo Ribeiro (PPS) e Julio Cesar (PRB).

Outro caso que envolve investigação de deputados é o de Sandra Faraj (SD). Ela é alvo do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), que apura o suposto mau uso da verba indenizatória. A distrital enfrenta um processo que pede a cassação do mandato dela na CLDF. O caso está na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

Ao mesmo tempo que a Câmara pode voltar a ser sacudida pela Drácon, Joe Valle tentará contornar novas turbulências. Nesse caso, a ideia é evitar embates com o Palácio do Buriti, mesmo com Joe despontando como um possível adversário para a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

A meta é manter uma relação harmoniosa, especialmente quando a CLDF votar pautas do Executivo. Os principais temas que o GDF deve levar à Casa até o final deste ano se referem à regularização fundiária, consolidação de matérias no campo da educação e criação de uma lei orgânica para a Cultura. “Queremos um segundo semestre tranquilo. Todas as nossas ações serão feitas de forma institucional. Acredito que não teremos problemas entre a Câmara e o governo”, disse Joe Valle.

Fator eleitoral
Apesar de Joe erguer a bandeira branca, o analista político Melillo Dinis não acredita que a relação com Rollemberg será tão calma. “O deputado está sendo pressionado por vários apoiadores para assumir um papel nas eleições majoritárias, ocupando o vácuo político existente para o cargo de governador. Esse cenário pode ampliar a crise entre o Executivo e a CLDF”, acredita Dinis

“A situação é tão extrema que a liderança do governo está nas mãos do deputado Agaciel Maia, que dificilmente estará no mesmo campo eleitoral que o atual governador em 2018. Tal quadro demonstra que é quase impossível governar o DF sem uma CLDF em que o Poder Executivo tenha uma bancada mínima de apoio para além do fisiologismo tradicional da troca de cargos”, finaliza o analista político.

fonte:

Metrópoles

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