PCDF investiga uso de carro oficial da Câmara para entrega de drogas
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga se o bando acusado de tráfico de drogas no DF usava o carro oficial da Câmara dos Deputados para a entrega dos entorpecentes para clientes de alto poder aquisitivo na capital do país. Entre os presos, está o secretário parlamentar Daniel Lourival Azevedo. Ele é motorista do deputado Valadares Filho (PSB/SE).
De acordo com o delegado Rogério Henrique Oliveira, da 5ª DP (área central), durante as investigações, que duraram mais de um ano, a PCDF “praticamente confirmou” o uso de carro oficial. “Não temos como dizer 100%. Temos informações de que ele (Daniel Azevedo) usava Mégane. Muitas vezes esses carros são terceirizados de órgãos públicos”, ressaltou.
O delegado disse que os policiais têm informações de que o homem, que trabalhava como motorista do parlamentar, saía do expediente para cometer o crime. Com remuneração de R$ 6,5 mil mensais, Azevedo trabalha como comissionado na Câmara dos Deputados desde 2007.
Funcionários do gabinete de Valadares Filho confirmaram que o homem presta serviços ao deputado e que, normalmente, atua mais na rua do que na Casa. Mas, segundo a assessoria de comunicação do socialista, Azevedo será demitido.
Por meio dos assessores, o parlamentar afirmou ter ficado surpreso com a prisão e o suposto envolvimento de Azevedo com o tráfico de entorpecentes. E ainda garantiu que vai colaborar no que for preciso para as investigações da PCDF.
Serviços jurídicos
Entre os presos nesta terça (6), também está a estagiária da Procuradoria-Geral da República (PGR) Marcela Galdino da Silva, 23 anos. “O grupo tinha assessoria jurídica, integrada por ela”, ressaltou o delegado, em coletiva à imprensa.
Estudante de direito, Marcela estava em cursinho preparatório para prestar concurso para a Polícia Civil do DF. O grupo vendia drogas caras, como a escama de peixe (cocaína pura). Entre os clientes, jornalistas, médicos, servidores públicos
A droga vinha da Bolívia. Os traficantes atuavam somente no DF, especialmente para atender a clientela da Esplanada. O grupo também comercializava haxixe, maconha, LSD e usava duas ou três motocicletas.
Mais de 300 policiais estão nas ruas desde o começo da manhã deste terça. A Operação Delivery ainda não terminou. Os agentes esperam prender mais duas pessoas. Se condenados, os presos podem pegar pena de até 30 anos de cadeia. (Aguarde mais informações)
