Adolescente de unidade de internação do DF passa na UnB

Foram seis horas de estudos diárias durante os últimos meses e a recompensa veio. A sonhada vaga na Universidade de Brasília. Adolescente em cumprimento de medida socioeducativa, Matheus Souza*, de 18 anos, vai deixar os módulos da Unidade de Internação do Recanto das Emas (Unire) para frequentar as aulas do curso de Educação Física em uma das principais instituições de nível superior do Brasil.
Para o diretor da Unire, Jandir Teixeira, a participação da família foi fator determinante para o sucesso de Matheus. “Se os familiares das outros menores entenderem o papel deles, não tenho dúvida que teremos outros aprovados nos próximos vestibulares”, analisou Jandir e ressalta: “nossa escola oferece, aqui dentro, a mesma estrutura, professores e conteúdo das escolas da Secretaria de Educação do Distrito Federal”.
Início das aulas – O ano letivo da Universidade de Brasília começa em 11 de agosto. Devidamente matriculado, mas com alguns meses a cumprir na Unire, Matheus Souza espera por uma decisão da Vara de Execuções de Medidas Socioeducativas do DF (Vemse). “Elaboramos um relatório técnico multidisciplinar no qual mostramos que se trata de um jovem com bom comportamento e pronto para voltar à sociedade”, avaliou a vice-diretora da unidade Sheila Braga.
Caso a liberdade do adolescente não seja deferida, ainda há a possibilidade de ele assistir às aulas acompanhado por uma equipe de atendentes de reintegração social. Assim, ele assistiria e voltaria após as aulas escoltado com os servidores da Unire.
Perspectivas de mais aprovações – O exemplo de Matheus Souza motivou vários colegas. Muitos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa estão solicitando a liberação de levarem materiais para estudar nos módulo.
A todos que se interessarem, nós vamos ajudar. Estamos aqui para das as condições necessárias para que eles se tornem cidadãos de bem e apoiar nos estudos faz parte desse trabalho”, explicou o gerente de Segurança da Unire, Valdigne Baia.
Responsável pela escola da unidade, a professora Regina Célia Nunes, descreve como é difícil o cotidiano nessas salas de aula tão peculiares. Ela destaca a necessidade de práticas e planejamentos diferenciados, apesar de nada ser alterado nos conteúdos programáticos. Porém apesar de toda dificuldade, ela espera colher novos frutos em breve. “Já tem estudantes se capacitando para vestibulares, concursos públicos e mais do que isso, jovens recuperando o interesse pelos estudos”, enfatizou a professora, que desconhece casos semelhantes ao de Matheus Souza na Educação brasiliense.
*O nome do jovem foi alterado para preservar sua imagem em observância ao artigo 143 do Estatuto da Criança e Adolescente.
(André Silva)
