Ano letivo nas escolas públicas começa com duas potenciais greves

O ano letivo de 2017 nas escolas públicas vai começar com duas potenciais greves. As portas das escolas abrirão para os estudantes na sexta-feira, dia 10, mas, três dias depois, a categoria se reúne na primeira assembleia geral, com indicativo de greve, marcada desde o ano passado. Segundo professores e o sindicato que os representa, as possibilidades de paralisação das atividades é iminente, já que persiste o que chamam de calote do governo. Em 15 de março haverá outra pausa, nacional, contra a reforma da previdência.
O calendário oficial da Secretaria de Educação prevê o fim do ano letivo para a semana do Natal, no dia 21 de dezembro. Serão duas semanas de recesso escolar em julho, de 10 a 28 daquele mês, além de oito feriados que suspenderão as aulas. Dependendo do período de uma paralisação, as aulas podem acontecer nos fins de semana e até continuar, apesar da virada do ano, para cumprir os 200 dias previstos legalmente.
A primeira ameaça ao andamento normal do ano letivo acontece em 13 de fevereiro. Às 9h30, na Praça do Buriti, a categoria votará o indicativo de greve aprovado em novembro passado. Segundo o Sindicato dos Professores (Sinpro), desde o início da gestão, Rodrigo Rollemberg não tem aplicado os recursos necessários na educação ou cumprido a agenda do Plano Distrital de Educação (PDE).
Diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro), Vilmara Pereira do Carmo detalhou ao Jornal de Brasília as principais reivindicações que tornam claras as possibilidades de paralisações. Em fevereiro, a decisão fica por conta da categoria, mas, no mês seguinte, a data já está pré-agendada. “A expectativa para os dois atos é grande. No ato local, temos mais um ano de arrocho do GDF e nenhuma proposta apresentada nas reuniões”, explicou. Dos reajustes prometidos ainda na gestão de Agnelo Queiroz, previstos para março e setembro de 2015, só um foi cumprido.
Em relação ao PDE, o principal ponto reivindicado é a Meta 17, que prevê a valorização da categoria. Os docentes querem discutir a implementação de 18% na remuneração dos professores e orientadores do Distrito Federal. Em março, o ato foi convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A paralisação foi decidida em congresso para combater a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer e pelo cumprimento integral da Lei do Piso Nacional do Magistério.
Para Luis Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF, começar o ano com ameaças de greve é preocupante. “Ficamos temerosos com o ano letivo, que pode claramente ser prejudicado. Greve se resolve politicamente, mas acredito que neste ano pode haver de forma ainda mais intensa, porque no ano passado a categoria não teve espaço por falta de planejamento. Tão ruim que nem teve adesão, os professores tiraram férias”, afirma.
Principal preocupação
“Os professores não estão errados. O problema é o governo que não paga e não se preocupa com isso. Sobra para o povo e para os estudantes”, opinou a estudante Maísa Alves, 33 anos. Ela tem dois filhos no Ensino Médio, de 15 e 17 anos, e também é responsável pelo sobrinho, Gabriel Martins, 16, que fez ontem a matrícula do segundo ano na mesma escola pública onde estudam os primos.
“Greve é uma grande preocupação, especialmente nesse cenário de instabilidade econômica que vivemos. Também esperamos que haja professores para suprir o quadro porque no ano passado foi uma dificuldade”, ressaltou Maísa. Moradores do Jardins Mangueiral, os adolescentes já passaram por isso, mas será a primeira experiência de Gabriel, recém-chegado ao DF.
Quem também teve experiência com reposição de greves no passado foi Eduardo de Albuquerque. Aos 15 anos, ele iniciará o 2º ano do Ensino Médio em fevereiro. “Todo ano tem greve”, reclamou o estudante, que teve de ir à escola em alguns sábados no ano passado. “Atrapalha muito o andamento na escola. É péssimo e uma preocupação todos os anos”, diz.
VERSÃO OFICIAL
O Governo de Brasília diz manter diálogo constante com as categorias e, em reuniões com sindicatos, tratado das demandas que não geram impacto financeiro. Junto ao Sinpro, a Subsecretaria de Relações do Trabalho e do Terceiro Setor (Subtrats), da Casa Civil, e a Secretaria de Educação realizaram três reuniões em 2017 com os representantes da categoria para debater o Plano Distrital de Educação e demais reivindicações. A última aconteceu ontem, no Anexo do Palácio do Buriti, e a próxima está agendada para quinta-feira. Por enquanto, porém, nenhuma decisão sobre o caso foi tomada.
