Casal e outros três investigados por fraude no sistema do Detran-DF são considerados foragidos; veja quem são

Segundo a Polícia Civil, grupo é suspeito de invadir sistema do Detran para fazer transferências ilegais de veículos, retirar multas e excluir restrições. Investigação identificou mais de 600 acessos indevidos

  • A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (26) uma operação contra um grupo suspeito de acessar o sistema do Detran de forma indevida.
  • Agentes tentam cumprir cinco mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Brasília, Valparaíso (GO), Teresina (PI) e Santiago (RS).
  • Investigações começaram depois que uma pessoa teve seu veículo transferido para um terceiro de forma fraudulenta.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) procura cinco investigados suspeitos de integrar um esquema de fraude no sistema do Detran-DF.

Segundo a corporação, os alvos tiveram a prisão preventiva decretada, mas não foram encontrados durante a operação deflagrada nesta terça-feira (26).

De acordo com as investigações, o grupo acessava indevidamente o sistema do Detran para fazer transferências ilegais de veículos, além de retirar multas e restrições.

➡ A polícia afirma que mais de 600 acessos suspeitos foram identificados usando a matrícula de uma única servidora do órgão, que procurou a corporação após descobrir o uso indevido do login dela.

Entre os procurados estão o servidor do Detran-DF Alexandre Macedo da Rosa, apontado pela polícia como líder do grupo, e a esposa dele, Shana Rodrigues Macedo, que não é servidora do órgão (veja a imagem acima).

De acordo com a investigação, Alexandre seria responsável pelas alterações ilegais no sistema e os pagamentos feitos pelos clientes do esquema eram transferidos para a conta da mulher.

Também são procurados Caio Raffael Furtado e Pedro Cruz Filho. Um quinto investigado teve a prisão decretada, mas o nome e a foto não foram divulgados pela Polícia Civil.

A reportagem tenta localizar a defesa dos investigados.

Também são procurados pela PCDF Caio Raffael Furtado e Pedro Cruz Filho. — Foto: PCDF/Divulgação

Como funcionava o esquema

Segundo o delegado da 17ª DP, Thiago Boeing, a investigação começou há cerca de um ano, após uma servidora do Detran denunciar que o acesso dela havia sido usado em centenas de operações suspeitas.

A primeira fase da operação ocorreu no início deste ano. Com a apreensão de celulares e outros materiais, os investigadores conseguiram identificar o suposto líder do esquema, Alexandre Macedo da Rosa.

“A partir da análise desse material, a gente conseguiu identificar o líder do grupo, que é um servidor do Detran, responsável direto por essas alterações nos sistemas”, disse Boeing.

Segundo a polícia, despachantes ofereciam os serviços ilegais a terceiros. Cada fraude custava cerca de R$ 2 mil.

“Esse dinheiro era transferido diretamente para a conta da esposa desse servidor do Detran”, afirmou o delegado.

Ainda de acordo com a investigação, o esquema causava prejuízos tanto para donos de veículos quanto para o poder público.

Os investigados foram denunciados por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistema de informática.

O que diz o Detran-DF

“O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos a partir de procedimentos de monitoramento interno, cruzamento de informações de segurança e atuação conjunta com os órgãos de investigação e inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Cabe destacar que o Detran-DF vem adotando, de forma contínua, medidas de fortalecimento da segurança da informação, auditoria de acessos, rastreabilidade de operações, autenticação multifator (MFA), revisão de perfis de acesso e ampliação dos mecanismos de monitoramento dos sistemas corporativos, especialmente do GETRAN.

No caso de envolvimento de servidor, são adotadas medidas administrativas imediatas, como o afastamento do setor de origem e o bloqueio de acessos aos sistemas. Além disso, o servidor responde a Processo Administrativo Disciplinar (PAD), no âmbito administrativo, podendo, conforme previsto na Lei Complementar nº 840/2011, sofrer penalidades que incluem a demissão. Paralelamente, também poderá responder na esfera penal, nos termos do Código Penal Brasileiro.

Quanto às próximas medidas, o Detran-DF continuará colaborando integralmente com as autoridades policiais e órgãos de controle, além de intensificar ações de segurança cibernética, revisão de acessos sistêmicos e aperfeiçoamento dos mecanismos de prevenção a fraudes.”

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fonte:

g1

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