Com ‘risco de morte’, paciente aguarda UTI há 1 semana

Homem de 59 anos diagnosticado com “risco iminente de morte” aguarda um leito de UTI no Distrito Federal há uma semana, apesar da urgência. Enquanto isso, o aposentado Augusto Oliveira segue internado desde a última quarta-feira (1º) no Hospital Regional de Samambaia. De acordo com a Secretaria de Saúde, a unidade tem 20 leitos de UTI, mas todos estão ocupados.
Ele foi encaminhado ao local com sintomas de infarto, mas não há profissionais de cardiologia nem os aparelhos necessários ao tratamento dele.
A secretaria informou que o aposentado está “recebendo toda assistência necessária para estabilização do quadro clínico, com suporte semelhante ao de uma UTI”. No entanto, o laudo médico emitido nesta terça (7) descreve o estado de saúde de Oliveira como urgente por “provável choque cardiogênico”.
Segundo o filho dele, Fabrício Souza, há apenas uma enfermeira para atender todo o pronto socorro no hospital de Samambaia. “Enfermeiro tem, mas médico mesmo é muito difícil nesse hospital.”
Na última sexta-feira (3), quando fazia uma visita, o pai dele voltou a ter os sintomas de ataque caríaco. “Ele sentiu tanta falta de ar que me pediu pra fazer alguma coisa e eu fiquei desesperado.” No mesmo dia, Oliveira foi internado na ala vermelha – reservada a pacientes em estado grave. Desde então, está sedado sob observação.
“Eles [médicos e enfermeiros] têm boa vontade, mas não têm aparato para manter meu pai”, disse Fabrício. A secretaria informou que a cardiologia é uma especialidade ambulatorial na unidade, ou seja, “não tem na emergência”. Na prática, significa que Oliveira não pode ser atendido pelos cardiologistas do pronto-socorro
Sem atendimento adequado, o quadro de saúde do aposentado piorou na última sexta (3). “A cada dia que passa, meu pai vai morrendo mais”, diz o filho. “Os rins estão quase parando e dizem que não podem fazer nada. Além do leito de UTI, ele vai ter que ir para um hospital onde possa fazer hemodiálise.”
Outro laudo médico emitido na noite desta quarta (8) também aponta insuficiência renal provocada pela doença de Chagas, que está afetando o funcionamento de alguns órgãos. Oliveira está sendo mantido por ventilação mecânica, antibióticos e medicamentos que ajudam a controlar os batimentos cardíacos.
O choque cardiogênico, segundo explica a médica Jéssica Ramos, ocorre quando o coração começa a falhar e não bombeia sangue suficiente. “A demanda do corpo por oxigênio não é suprida”, afirmou. Isso pode acarretar complicações como a queda da pressão arterial e insuficiência de órgãos vitais.
No laudo, o clínico responsável ainda sugere que a família entre em contato com o Instituto Cardiológico do DF (ICDF), onde Oliveira fazia acompanhamento mensal desde 2015. O filho diz que esteve no instituto, mas foi informado que o pai somente poderia ser tratado lá se, antes, fosse transferido ao Hospital de Base, que solicitaria o encaminhamento.
Após o primeiro infarto, no início de 2015, Oliveira passou por uma cirurgia no ICDF para implantar um marcapasso. Desde então, a equipe médica do instituto monitorava o funcionamento do coração dele em consultas como a que está marcada para o dia 25 de fevereiro. O Instituto de Cardiologia é o único do DF credenciado para fazer transplantes de coração.
Luta por um leito
A Secretaria de Saúde informou ao G1 que Oliveira está na lista de espera para um leito de terapia intensiva, mas “até o momento, não há vaga disponível na rede”. Segundo a pasta, o cadastro de pacientes que precisam ser encaminhados à UTI faz buscas diárias por leitos disponíveis em todas as unidades de saúde do DF. A posição na lista varia conforme o estado clínico de cada paciente, sendo os mais graves priorizados.
“Sempre dizem que não tem leitos [disponíveis], mas aí vai deixar morrer? Ninguém vai fazer nada? Quer dizer que todo mundo que chegar precisando de um leito de UTI vai morrer?”, questiona Fabrício.
Ele acionou Defensoria Pública nesta segunda (6), que enviou um ofício à secretaria. Até esta quinta-feira (9), a pasta não havia respondido às demandas. “O hospital aqui da Samambaia não tem suporte pra tratar meu pai. Ele está sendo mantido vivo à base de medicamentos.”

Luta por um leito