Extração de terras raras pode fortalecer produção de fertilizantes em Goiás; entenda

Primeiro hub de remineralizadores do país tem como proposta transformar resíduos da mineração em insumos agrícolas. Investimento previsto é de R$ 28 milhões

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Com dependência de quase 90% de fertilizantes importados, foi lançado nesta quarta-feira, 6, em Goiás, o primeiro hub de remineralizadores do país, com a proposta de transformar resíduos da mineração em insumos agrícolas. O projeto prevê investimento de R$ 28 milhões ao longo de cinco anos e passa a incorporar a pesquisa de terras raras, material estratégico cuja exploração gera grande volume de rejeitos com potencial de uso no solo.

Com exclusividade ao Jornal Opção, o secretário de Indústria e Comércio, Joel de Sant’Anna Braga, afirmou que o hub vai além da produção de insumos regionais e inclui, como frente estratégica, o estudo e aproveitamento de terras raras. Goiás é hoje o único local fora da China que extrai e exporta esse tipo de mineral, utilizado em tecnologias como semicondutores, baterias e equipamentos de energia renovável.

Segundo o secretário, o projeto se insere em uma lógica de economia circular ao tentar dar destino a um passivo da mineração. Ele destacou que apenas 0,003% da terra extraída em processos envolvendo terras raras é aproveitada, enquanto 99,997% retorna ao solo. A proposta é transformar esse material, hoje descartado, em insumo agrícola de maior valor.

A iniciativa será coordenada pela Universidade Federal de Goiás, com apoio da Embrapa Cerrados, da Universidade Estadual de Goiás e do Instituto Federal Goiano, além de parcerias com empresas privadas e ministérios. A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, avalia que o projeto pode ampliar o uso econômico do potencial mineral do estado a partir da pesquisa científica e da inovação.

Pesquisador da Embrapa Cerrados, Éder Martins afirma ao Jornal Opção que os remineralizadores funcionam como insumos multifuncionais, capazes de melhorar a fertilidade do solo e elevar a produtividade agrícola. Segundo ele, estudos indicam aumento de até 15% em culturas como soja e cana-de-açúcar. A proposta, de acordo com o pesquisador, é aplicar o conceito de mineração circular, em que todo material processado tenha algum tipo de reaproveitamento.

Atualmente, já existem 12 produtos em uso, com potencial para o desenvolvimento de outros 65. A iniciativa surge em um cenário de instabilidade no mercado global de insumos, influenciado por fatores como a guerra na Ucrânia e restrições logísticas internacionais. Nesse contexto, o projeto busca posicionar Goiás como alternativa na produção local de fertilizantes e reduzir a dependência externa, ao mesmo tempo em que tenta dar novo uso a resíduos da mineração.

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fonte:

Jornal Opção

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