Fraudes em licitações no Governo do DF são alvo de operação

A Polícia Civil e o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) fazem operação nesta sexta-feira (15/2) contra fraudes em processos de licitações realizados pelo Governo do DF. As investigações mostram que empresas, em conluio, teriam combinado a participação em concorrências para realizar obras públicas milionárias. Estão sendo cumpridos dois mandados de prisão e oito de busca e apreensão.
Até as 7h20, uma pessoa já havia sido presa. O nome dela não foi divulgado. A operação é realizada pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (Cecor) e pela Coordenadoria de Controle Externo da Atividade Policial e dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Mais detalhes da operação ainda não foram divulgados.
O Metrópoles apurou que se trata de um desdobramento da Operação Monopólio, que, em julho do ano passado, prendeu 17 pessoas – entre elas, o ex-administrador de Taguatinga e empresário Márcio Guimarães, e o filho dele, Márcio Hélio Guimarães Júnior.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, os integrantes da organização participam de licitações de valores pequenos nas administrações regionais, por meio de carta convite, modalidade na qual as empresas são convocados a apresentar propostas de preço. As concorrências seriam direcionadas, com combinação prévia de preços definidos pelos próprios contratados.
No ano passado, a Polícia Civil analisou 259 licitações, desde 2011, onde o grupo foi vencedor. Em 128 delas, duas ou mais empresas ligadas a Márcio Guimarães competiam para fechar o contrato. Na época, os investigadores apontaram que “ficou demonstrado que empresas eram registradas em nome de ‘laranjas’ apenas para participarem da concorrência e dar ar de legalidade ao certame. Porém, todas eram, na verdade, vinculadas à associação criminosa”.
Velho conhecido
Em junho de 2016, Márcio Guimarães foi alvo de operação semelhante, a Apate. Na época, a polícia também apurava indícios de fraudes em licitações. Com base nos cálculos da polícia, mais de R$ 250 milhões foram desviados entre 2012 e 2014, em contratos de 19 administrações regionais.
Em 2013, entrou na mira da Operação Átrio, responsável por apurar a venda de alvarás de funcionamento em Taguatinga e Águas Claras. Em virtude dessa diligência, tornou-se réu em uma ação penal que tramita na 2ª Vara Criminal da região administrativa já comandada por Guimarães.
A Operação Monopólio escancarou um esquema de corrupção sofisticado que operava nas administrações regionais da capital. Historicamente, usada para atender interesses políticos dos mandatários do DF, os órgãos representativos de cada cidade foram transformados em cabides de emprego com fins eleitorais para acomodar aliados.
O esquema de corrupção envolvendo servidores e administradores desbaratado movimentou, segundo a PCDF, quantias milionárias, o que levou ao bloqueio de R$ 55 milhões pela Justiça. O valor teria sido arrecadado por meio de desvios em obras realizadas ao longo dos últimos sete anos.
