Horário de verão chega ao fim esta noite; economia de energia é pífia

O horário brasileiro de verão chega ao fim à meia-noite de hoje. Os brasilienses, assim como quem mora nos 10 estados onde os relógios tiveram de ser adiantados há pouco mais de três meses, precisam agora fazer o inverso. Por isso, os ponteiros têm de voltar em uma hora à meia-noite deste sábado. Amado por uns e odiado por outros, o horário de verão resultou em uma economia média de 2,7% no consumo de energia durante o horário de pico do sistema, no Distrito Federal, segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB). No entanto, a manutenção da medida não está garantida. A Presidência da República aguarda o resultado das análises técnicas dos resultados do ciclo 2018/2019 para decisão sobre o futuro dela, que entrou em vigor em 1985.
No ano passado, a Secretaria de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME) realizou estudos em parceria com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, que foram encaminhados à Casa Civil da Presidência da República sobre a economia do horário de verão do ponto de vista do setor elétrico. As conclusões foram que “a aplicação da hora de verão, nos dias de hoje, não agrega benefícios para os consumidores de energia elétrica, tampouco em relação à demanda máxima do sistema elétrico brasileiro, muito em função da mudança evolutiva dos hábitos de consumo e também da atual configuração sistêmica do setor elétrico brasileiro (leia Para saber mais)”. Ou seja, os resultados foram próximos à neutralidade para o setor.
Mais compras
A hora a mais de sol no fim do dia gerava lucro para os comerciantes. “Depois do expediente, muita gente acaba indo dar uma volta em shoppings e lojas. Já fizemos pesquisas e ficou comprovado: o horário de verão dá um incremento no movimento” ressaltou o presidente da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), Fernando Brites. “As vendas aumentam em até 20% com o happy hour começando mais cedo. Com o fim do horário, essa ampliação no lucro começa a diminuir, o que não é interessante para gente”, completou o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhobar-DF), Jael da Silva.
Gerente de um bar e restaurante no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Jair Titton, 48 anos, endossa a posição dos representantes do setor. “O movimento aumenta no horário de verão. Como ainda está claro, muita gente estende o dia e decide passar no bar para tomar algo, depois de um dia de trabalho”, comentou Titton. Dona de uma loja de roupas no Guará há mais de 20 anos, Maria de Souza Verne, 39, diz que, como as pessoas ficam até mais tarde na rua, elas compram mais. “Gosto do horário de verão não só pelo negócio. Tenho a impressão que o dia rende mais”, frisa a comerciante.
