‘Julianna Andrade’, Jovem competente e apaixonada pelo Direito

Advogada Julianna Andrade,  filha de Silvania Marina Santos e Djalma Andrade da Silva, especialista em criminal, cível e direito público.

A jovem advogada Julianna Andrade, filha de Silvania Marina Santos e Djalma Andrade da Silva, especialista em criminal, cível e direito público, escolheu a cidade de Novo Gama para trabalhar. No município, onde atuou junto a Procuradoria no período compreendido entre 2013 e 2016, hoje tem escritório, um dos mais renomados da região. A jurista de apenas 30 anos de idade e sete de exercício profissional, ainda tem tempo para se dedicar ao apoio às mulheres vítimas de violência doméstica, sobretudo as que acontecem nas cidades próximas a Brasília e no próprio Distrito Federal, uma vez que também faz parte do Conselho de Mulheres Cristãs do Brasil- CMCB, compondo a diretoria jurídica. Apaixonada pelo que faz, a advogada conversou com a reportagem de O DEMOCRATA.

 

 Galeria de fotos da visita e entrevista de Julianna na redação do “O DEMOCRATA”:

 

 O DEMOCRATA – Por que uma jovem advogada optou por trabalhar na cidade de Novo Gama. Brasília não é mais atraente?

Dra. Julianna Andrade – Eu iniciei minha carreira aos 23 anos de idade, quando então fui convidada pelo ex-prefeito, Senhor Everaldo Vidal, para atuar junto a Procuradoria do munícipio, assim tive a oportunidade de conhecer de perto a cidade. Novo Gama é uma cidade em desenvolvimento, o comércio é atraente e a tendência é que empresas de grande porte e indústrias se instalem no município, primeiro por ser muito próximo ao Distrito Federal, além de que já existem projetos que tramitam no Governo que garantem benefícios fiscais para tais indústrias, bem como existe interesse das indústrias em se estabelecerem ali, o que vai melhorar a qualidade do município, na medida em que irá gerar renda e empregos. Vejo Novo Gama como uma cidade promissora, além de ser carente de profissionais que atuam na esfera jurídica. Esse foi o motivo que me levou a estabelecer meu domicílio profissional naquela cidade. Brasília é linda, eu amo Brasília e atendo muitos clientes no Distrito Federal, onde sou patrona em vários processos, mas optei por manter meu escritório no Município de Novo Gama.

Como a avalia à violência na cidade?

O Entorno do Distrito Federal é marcado pela violência. Em Novo Gama infelizmente não é diferente. A discussão a fim de se buscar mecanismos para solucionar o problema da violência urbana de modo geral é antiga e infelizmente ineficaz uma vez que a criminalidade está cada vez mais banalizada entre nós. Novo Gama necessita de política pública voltada para a educação, é necessário mudar a cultura para diminuir o cenário de violência. Não que isso configuraria a solução do problema, mas seria uma forma de amenizá-lo.

É possível fazer um perfil das pessoas que cometem crimes no município de Novo Gama?

Antes de traçar um perfil das pessoas que cometem crimes no município, é necessário traçar um perfil do município, das condições de vida na comunidade, o que a meu ver impulsiona o aumento da violência. Eu vejo que a violência no município de Novo Gama não é oriunda apenas pelas desigualdades sociais existentes, não é porque a pessoa é pobre que tem tendência a se tornar criminoso. Novo Gama é marcado por gente do bem, pessoas trabalhadoras, pais de família. O que vejo é que grande parte da população carcerária do município são pessoas que não tiveram acesso à educação, consequentemente não possuem qualificação profissional e buscam no crime uma solução de emergência para seus problemas. O município de Novo Gama precisa melhorar muito, é necessário investir na melhoria dos bairros a fim de se buscar condições de propiciar vida digna aos seus moradores, criar mecanismos de integração dos laços sociais e buscar resgatar valores e raízes familiares. É a junção dos referidos fatores a responsável pelo estímulo à criminalidade e não a atuação isolada de cada um deles.

A senhora que já atuou na Procuradoria da cidade, acredita que o cidadão novogamense tem os seus direitos respeitados, sobretudo no que diz respeito a saúde, educação, transporte e segurança?

Direitos respeitados sim. Contudo está longe ainda de ser uma comunidade ideal. Os problemas do município são recorrentes e de conhecimento público. A saúde do município, do meu ponto de vista, é o que melhor atende a população, embora a dotação orçamentária e os recursos sejam pequenos, Novo Gama conta com postos de saúde, especialidades médicas e oferece suporte a população do Distrito Federal que migra para o município atrás de atendimento médico. É necessário buscar melhorias nos bairros, investir principalmente em educação, buscar parcerias a fim de oportunizar aos moradores um trabalho digno. O transporte é alvo de críticas, na medida em que não atende a demanda, embora hoje a população tenha a disposição empresas de qualidade que estão prestando o serviço, mas ainda assim não é suficiente e a segurança pública é um problema generalizado em todo o país, não só no estado de Goiás, que embora possua ótimos profissionais, não possui infraestrutura para dar suporte suficiente a fim de que os mesmos possam garantir que o cidadão não será vítima da violência urbana generalizada.

Quais as realizações que você encontrou na sua profissão e as dificuldades que teve para chegar até aqui?

A profissão que escolhi me proporciona satisfação diariamente. É maravilhoso ver que por intermédio do meu trabalho uma mãe voltou a sorrir, uma criança voltou a ter esperança. O advogado atende aquela pessoa que muitas vezes está passando pelo maior problema de sua vida, aquele que foi enganado. Quem nos olha e pede ajuda é a vítima de um crime. A responsabilidade é muito grande. Estamos ali para socorrer aqueles que o mundo inteiro está acusando. Somos referência, levamos esperança e conforto nas penitenciárias, intermediamos a liberdade, vemos de perto toda a deficiência do sistema, o sofrimento individual de cada um.

O início da carreira não é fácil, na minha não foi diferente. Adquirir maturidade jurídica é um processo que leva tempo, dedicação e estudo e isso é uma dificuldade diária, mas acredito que todos os dias eu posso aprender e melhorar, então é uma busca constante.

Que conselho deixa para os jovens estudantes, que sonham em serem advogados?

Estudem como se fosse viver para sempre. Invistam na teoria, procurem desenvolver um raciocínio jurídico rápido e eficiente, não se preocupem com a prática, ela vai vim naturalmente e quando ela vier é necessário uma bagagem de conteúdo de qualidade.

Dizem que o exame da OAB é muito difícil. Qual o segredo para se da bem na prova?

Estudar. Não tem outro caminho. Dedicação e persistência.

“É necessário investir e dar continuidade em projetos que vislumbrem empoderar a mulher, tornando-a independente financeiramente e psicologicamente a fim de se buscar diminuir o índice de violência doméstica”

Como mulher e advogada, a senhora acha que até quando o Brasil vai conviver com a violência doméstica?

A violência doméstica e familiar contra mulheres é recorrente e presente não só no Brasil, mas em todo o mundo sob diversas formas e intensidades, motivando crimes e graves violações de direitos humanos. O Estado não é omisso, a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, apelidada Lei Maria da Penha, traz mecanismos eficientes na busca pelo combate à violência doméstica, contudo existem fatores históricos e culturais que alimentam um pacto de silêncio entre as mulheres que muitas vezes por vergonha, são coniventes com os crimes das quais são vítimas. Não existe diferença entre um grito e um tapa. É inadmissível a violência, principalmente vinda daqueles que tinham por obrigação cuidar e proteger a mulher, que é a família. Contudo, embora existam políticas públicas de qualidade, legislações específicas e eficientes no combate à violência doméstica, ela sempre vai existir, não só no Brasil, mas em todo o mundo. É necessário investir e dar continuidade em projetos que vislumbrem empoderar a mulher, tornando-a independente financeira e psicologicamente a fim de se buscar diminuir o índice de violência doméstica.

 

fonte:

O DEMOCRATA / Leonardo Sousa

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