Justiça nega pedido do MPDFT para interditar parque Deck Sul

A Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário negou nesta quinta-feira (6/7) pedido liminar de interdição do parque Deck Sul, às margens do Lago Paranoá, feito pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). O juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros entendeu que o fechamento do espaço ocasionaria danos à coletividade, uma vez que o local é um importante espaço para atividades de socialização, lazer e contemplação.

O MPDFT ajuizou uma ação civil pública contra a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) pedindo a interdição do parque. De acordo com os procuradores, o espaço de lazer próximo à Ponte das Garças, na L4 Sul, apresenta risco à saúde pública e à vegetação local.

O principal problema apontado pelo Ministério Público está relacionado à água da região. Segundo a ação, o mineral localizado próximo à área do parque possui alta concentração da bactéria Vibrio cholerae, causadora da cólera. A presença dos germes causa riscos à saúde de quem entra em contato com a água e pode levar à morte.

Ao negar a liminar, o juiz destacou que é possível impedir apenas a entrada de pessoas na água, alertando com placas de advertência e com fiscalização adequada. De acordo com ele, os frequentadores do espaço têm outros motivos para ir ao parque que não seja nadar ou praticar atividades no lago.

Para o MPDFT, entretanto, há risco à saúde dos usuários. “Tanto levantamentos periódicos realizados pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) quanto os realizados pelo próprio empreendedor atestam a má qualidade da água no local do empreendimento, o que coloca em risco a população de usuários daquela região”, afirmou o promotor Roberto Carlos Batista, responsável pela ação civil pública.

Outro problema que traz perigo aos usuários é a existência de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Caesb a alguns metros do Deck Sul. Segundo o Ministério Público, além do forte mau cheiro que infesta o parque, a proximidade com a estação de esgoto expõe frequentadores a estruturas mal conservadas e com risco de erosão.

O promotor Roberto Carlos Batista afirma ainda que a Novacap foi “negligente” durante a instalação do parque e não cumpriu condições essenciais para a proteção ambiental na área do Deck Sul. Além disso, pleiteia que a empresa seja condenada a executar cláusulas estabelecidas na licença prévia e na licença de instalação do parque.

A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema) quer a interdição do parque até que sejam tomadas as medidas necessárias e sugere a determinação de multa no valor de R$ 500 mil por dia em caso de descumprimento. O órgão pede ainda que a Novacap seja condenada a sanar os problema apontados e que o Ibram suspenda a concessão de novas licenças ambientais até a solução de todas as irregularidades.

Sem licença
Essa não é a primeira vez que o Deck Sul é alvo do MPDFT. Em junho do ano passado, a Prodema instaurou inquérito civil público para avaliar a instauração do empreendimento. Segundo o Ministério Público, a medida foi tomada após a descoberta de que a licença de instalação foi concedida sem que informações prévias e imprescindíveis para garantia da viabilidade de implantação do empreendimento fossem atendidas.

Em setembro, a Prodema expediu recomendação que propôs ao Ibram a adoção de medidas administrativas para solucionar os problemas detectados. De acordo com o MPDFT, no entanto, as providências tomadas pelo órgão foram insuficientes para sanar os danos apontados. Apesar das irregularidades, o Deck Sul foi inaugurado em 28 de maio de 2017 sem a licença de operação. O documento foi requerido em 2 de junho de 2017 e permanece em processo de análise pelo Ibram.

Acionada pelo Metrópoles, a Novacap explicou que “executou a obra de acordo com a legislação vigente” e que “realizou ainda o plantio de 70 mil m² de grama no local para evitar erosão e de 680 mudas de árvores — a maioria nativa do Cerrado. Além disso, construiu um dissipador de água pluvial no local para evitar danos”.

Já o Ibram disse, em nota, que “tem mantido diálogo constante com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sobre as ações no Deck Sul”.

Deck Sul
Desde a inauguração, o Deck Sul recebe cerca de 6 mil pessoas por semana. O espaço possui 77 mil metros quadrados (sendo 7,4 mil de calçadas), ponto de encontro comunitário, circuito com equipamentos para ginástica, quadras de vôlei e poliesportiva, parques infantis, ciclovia e pista de cooper. Há também um deck de madeira com 551 metros de comprimento.

O parque faz parte do projeto de revitalização da orla do Lago Paranoá e custou R$ 10.733.370,10 aos cofres públicos. O dinheiro foi fruto de um convênio entre a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) e a Novacap.

fonte:

Metrópoles

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