Ministro diz que Ibaneis “possivelmente será preso” e advogado reage: “Irresponsabilidade”. Veja vídeo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou a repercussão do caso do Banco Master e Banco de Brasília em entrevista à Veja

Ministro da Fazenda, Dario Durigan declarou, em entrevista à Veja, que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) “possivelmente” será preso no caso do Banco de Brasília (BRB) e Banco Master. A declaração provocou reação do advogado defesa de Ibaneis, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que classificou a fala como “muita irresponsabilidade de ministro de Estado”.
Na entrevista, o ministro afirmou: “A origem do problema do BRB é criminal, o presidente do banco está preso, o ex-governador está investigado, e possivelmente será preso também, em razão do que a gente tem visto aparecer sobre isso”.
Em nota, o advogado de Ibaneis disse: “É muita irresponsabilidade um ministro de Estado, que só deve conhecer a investigação pela imprensa, falar em responsabilização criminal e até em possibilidade de prisão de uma pessoa que, até o presente momento, sequer é formalmente investigado”.
Kakay também levantou a suspeita de que o ministro tenha “informações privilegiadas, o que seria grave” ou “tenha conversado com o possível delator”. “O governador Ibaneis aguarda com tranquilidade, apoiando a investigação. Afinal, como governador, sempre deu autonomia absoluta ao presidente do BRB e reafirma que está à disposição das autoridades devidamente constituídas”, declarou.
Na entrevista à revista, o ministro da Fazenda comentou a repercussão do caso do BRB e do Banco Master e o acordo homologado no Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar a quebra do banco do DF. Durigan informou que se posicionou contra o aporte de recursos da União no caso.
“Um caso muito grave. Foi pedido, na ação no Supremo, que a União, ou seja, todo o país, pagasse a conta do BRB, o que eu disse que era inadmissível, portanto um problema gerado pelo ex-governador do DF e que deve ser resolvido pelo ex-governador ou pelo próprio GDF”, declarou.

EUA e indicadores no Brasil
Também na entrevista à Veja, o ministro da Fazenda falou sobre a classificação pelos Estados Unidos das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Durigan disse que o Brasil pode sofrer prejuízos relevantes com a nova designação pelos EUA.
“Todas as conversas que tenho levam a crer que isso (impacto econômico da medida) pode acontecer”, disse. Ainda segundo o ministro, “tudo que puder ajudar no combate a essas organizações criminosas é bem-vindo, o que nós não podemos admitir é faca no pescoço, pressão indevida ou intimidação”.
De acordo com o gestor, os primeiros efeitos podem surgir no sistema financeiro, com bancos elevando gastos para evitar eventuais sanções americanas, o que deve ser repassado ao consumidor. “Muito provavelmente vai ter mais taxa bancária e tarifa bancária, mais custos que acabam sendo repassados para o tomador final”, pontuou.
Durigan declarou, também, que o governo Lula “entregará o país muito melhor” do que recebeu e citou indicadores de emprego, inflação e crescimento econômico. “A gente cresceu muito mais do que se projetava”, enfatizou.
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