Nana Queiroz: uma vida dedicada ao feminismo

Para a jornalista e ativista Nana Queiroz, o feminismo é o estado natural das coisas. E foi por entender isso desde a infância que ela decidiu encabeçar a campanha online “Eu não mereço ser estuprada”, que ganhou repercussão nacional há três anos. “O feminismo é o estado de dignidade equivalente entre homens e mulheres. Ninguém nunca conseguiu colocar na minha cabeça que a mulher deveria fazer diferente, mais ou menos que o homem”, diz ela.
Nana, que é Mariana no registro civil e tem 31 anos, diz que não consegue precisar o momento em que se sentiu feminista. “Acho que eu sempre fui”, aponta. O ativismo veio depois do protesto, que foi motivado por uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou que 65% (depois corrigido para 26%) dos entrevistados concordavam que mulheres que vestem pouca roupa merecem ser atacadas. Foi aí que ela decidiu postar uma fotografia nas redes sociais, em que estava seminua, bem em frente ao Congresso Nacional. No corpo, as inscrições que viraram hashtag e ganhou o Brasil: #EuNãoMereçoSerEstuprada.
Marco na vida de Nana foi a entrevista que fez com Juliana de Faria, fundadora do blog feminista “Think Olga” e criadora da campanha “Chega de fiu fiu” — contra o assédio sexual em lugares públicos. “Eu fiquei muito inspirada pela luta dela e pelo que ela fazia. E pensei ‘nossa, eu queria fazer isso também’”, conta.
O feminismo permeia toda a história dela, que nasceu no interior de São Paulo. Depois de escrever os livros Você já é feminista: abra este livro e descubra o porquê e Presos que Menstruam, ela fundou recentemente uma instituição sem fins lucrativos e uma revista eletrônica voltada exclusivamente para a temática: AzMina, onde é diretora de redação. “É a coisa que mais vale a pena na minha vida”, diz, entusiasmada, ao ser questionada se as dificuldades para manter a publicação têm valido a pena. “Super”, resume.
“O mais gratificante é quando alguém me escreve dizendo que, afinal das contas, o que eu fiz faz a diferença na vida delas, individualmente”, destaca e, em seguida, emenda: “Se bem que eu acho mesmo que o mais gratificante é sentar em roda e conversar com as pessoas, na verdade, sabia? Lembrar que tudo o que eu faço não é por opiniões vagas nas redes sociais, mas por gente de carne e osso”, comemora.
Desafios
A diferença salarial entre homens e mulheres é um dos grandes problemas ainda enfrentados pelo público feminino, dentre tantas formas de subjugação, conforme ela aponta. “Eu estou junto com meu marido há oito anos e tenho uma especialização a mais que ele, mesma carreira, mesma universidade e eu nunca ganhei sequer o mesmo salário que ele. E eu não acho que é porque eu sou menos competente”, desabafa.
Atualmente, Nana está morando na capital de São Paulo, depois de passar uma temporada nos Estados Unidos, para onde o marido foi transferido. Mas não sabe ainda onde estabelecerá residência fixa. “Estou decidindo se fico em São Paulo ou vou para Brasília, mas torcendo para ser Brasília, pois amo de paixão a cidade e me sinto brasiliense”, derrete-se.
