“Não há como o WhatsApp interceptar conteúdo legível”, diz cofundador

Cofundador de um dos principais aplicativos de bate-papo do mundo, o WhatsApp, o americano Brian Acton, 45 anos, afirmou nesta sexta-feira (2/6) que “não há como” a ferramenta “interceptar conteúdo legível”. O executivo participa de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), organizada para avaliar se os bloqueios ao app — pertencente ao Facebook — violam garantia da Constituição Federal.
O STF promove o debate com especialistas para reunir dados a fim de julgar duas ações, que tratam das suspensões do serviço determinadas por ordem judicial — houve três desde 2015. As informações são do G1.
Acton avaliou que as decisões da Justiça eram retaliações ao WhatsApp. Isso porque, segundo ele, o aplicativo não havia cumprido ordens para apresentar conversas de usuários. O executivo acrescentou que a companhia não pode fornecer informações que não possui, pois utiliza um modelo de criptografia. O método codifica arquivos digitais a fim de driblar interceptações e impede o WhatsApp de acessar o conteúdo das conversas.
O americano também rebateu os questionamentos da Corte suprema sobre a possibilidade de contornar a criptografia do app. “Ninguém intercepta, nem o Facebook, nem o WhatsApp, nem os hackers. Na segurança digital, ou você mantém as mensagens seguras de todo mundo ou não mantém ninguém a salvo”, alertou Acton, que é dono de uma fortuna avaliada em US$ 6,2 bilhões (R$ 20 bilhões).
Acton salientou que é impossível que o aplicativo envie mensagens sem a camada de proteção. “O WhatsApp foi construído de uma forma que só pode enviar mensagens criptografadas”, explicou. Ele reforçou que a criação de uma espécie de “chave-mestra”, que acessasse qualquer mensagem, colocaria em risco todos os usuários do app, pois haveria o risco de cair nas mãos de hackers.
