OAS também tinha departamento de propina, diz delator

A OAS, assim como a Odebrecht, tinha um setor dedicado ao pagamento de propinas. A afirmação foi feita pelo ex-diretor-presidente da área Internacional da empreiteira, Franklin Medeiros, ouvido nessa quinta-feira (4) pelo juiz Sérgio Moro.
“Existe uma área da empresa, que é justamente a área que trabalha nessa parte de vantagens indevidas, chamada Controladoria, onde doações a partidos, até de forma oficial, saem do presidente, vão para o diretor financeiro e para o gerente dessa área”, disse.
Segundo Medeiros, PP, PSB e PT, que seria privilegiado, receberam dinheiro da empresa em troca de vantagens em processos de licitação e licenças.
“Ao PT era dado um tratamento diferenciado, justamente por ser o partido que tinha maiores valores envolvidos. Esses partidos que foram citados, eu tenho pouco conhecimento que eles tinham muitos valores envolvidos – PSB E PP”.
Segundo o portal G1, Medeiros citou a participação da OAS em dois contratos que são investigados neste processo: com a Refinaria Getúlio Vargas, no Paraná, e com a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.
No caso de Abreu e Lima, Medeiros afirmou que parte do dinheiro foi repassado ao ex-governador Eduardo Campos, que morreu em um acidente de avião em 2014.
“Eu estou falando dos R$ 36 milhões que ficou ao nosso cargo, 13,5 milhões foi determinado pelo líder do consórcio, depois de uma conversa com o Janene, que seria pro PP. R$ 6,5 milhões seriam pro PSB, campanha de Eduardo Campos, de 2010 ao governo de Pernambuco”.
Segundo Medeiros, ficou combinado que a OAS faria o pagamento de fornecedores da campanha de Campos. Outros R$ 16 milhões foram para o PT.
