PCDF procura filhos de bombeiro preso por lotear área pública

A Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema) está nas ruas à procura de dois integrantes de uma organização criminosa acusada de parcelar irregularmente uma chácara na Colônia Agrícola Águas Claras, no Guará, e vender 21 lotes. Segundo a polícia, o grupo faturou R$ 5,2 milhões e deixou os compradores na mão, já que eles não poderão se instalar na área.
De acordo com a delegada Marilisa Gomes da Silva, Carlos Eduardo de Andrade Muniz Filho e Lucas de Souza Muniz (fotos na galeria abaixo) são considerados foragidos da Justiça. Contra eles, foi expedido mandado de prisão preventiva. Os dois, explicou a policial, são filhos do bombeiro militar da reserva Carlos Eduardo de Andrade Muniz, conhecido como Cadim. Ele foi preso na quarta-feira (21/3) após autorização da Vara Criminal do Guará.
Pai e filhos são conhecidos da Dema. Em janeiro deste ano, na Operação Déjà-vu, eles foram presos temporariamente por 10 dias pela venda da área. Porém, acabaram soltos. Agora, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) os denunciou, o que reforçou o novo pedido de prisão.
Segundo as investigações, o trio e mais outras três pessoas que também foram presas se uniram para parcelar, “em dissonância com a lei”, a uma chácara. A área foi dividida em seis lotes comerciais e 15 residenciais, e cada um vendido por cerca de R$ 250 mil.
Contra os seis pesam os crimes de parcelamento irregular do solo para fins urbanos, dano ambiental, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Histórico
O bombeiro, considerado chefe da organização, já foi preso temporariamente em outras investigações. A primeira, em 2011, na Operação Acton, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco); e a segunda, em 2016, na Operação Sentinela, da Dema. Ambas visavam reprimir os crimes de parcelamento irregular do solo.
Um dos filhos dele, Lucas, seria dono e teria parcelado o terreno em que foi construído o prédio que desabou na Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires, em outubro do ano passado, segundo a PCDF. O corpo do técnico em edificações Agmar Silva, 55 anos, foi resgatado sob os escombros.
A delegada Marilisa Gomes explicou que o bombeiro coordenava várias empresas de construção e engenharia. O grupo faturava com a construção de imóveis em áreas invadidas. O lote que motivou a operação trata-se de Área de Preservação Ambiental de propriedade da Terracap. A área total é de 2,3 mil hectares e cada lote foi dividido de 500 a 900 metros quadrados. Eles eram comercializados por valores que variavam de R$ 250 mil a R$ 300 mil.
De acordo com a polícia, o militar levava uma vida de luxo, bem acima do que o salário de bombeiro poderia pagar. Porém, em função da atividade paralela, a família mudava frequentemente de endereço. Com os três, na primeira fase da operação, em janeiro, foram encontrados celulares, computadores e grande quantidade de cheques (foto de destaque). As vendas eram realizadas por meio da internet e imobiliárias.
Serviço
Qualquer informação sobre o paradeiro dos foragidos poderá ser feita pelos canais de denúncia da Polícia Civil do Distrito Federal: 197 Denúncia On-line (www.pcdf.df.gov.br); o Disque-Denúncia: 197, opção 0 (zero) (a ligação é gratuita); o e-mail denuncia197@pcdf.df.
