Protesto contra reformas e Temer reúne milhares de manifestantes no DF

Cerca de 25 mil pessoas que chegaram a Brasília em 500 ônibus, segundo a Secretaria de Segurança e da Paz Social, estão reunidas na região próxima ao estádio Mané Garrincha e à Torre de TV na manhã desta quarta-feira (24/5). Convocada por centrais sindicais, uma marcha estava marcada para ocorrer na Esplanada dos Ministérios no início da tarde, às 14h. Mas, por volta do meio-dia, os manifestantes começaram a descer pela Via N1, rumo ao Congresso Nacional.
A expectativa da organização é de que 100 mil pessoas participem da manifestação, que tem como principal objetivo protestar contra as reformas trabalhista e da Previdência, além de pedir a saída do presidente Michel Temer (PMDB/SP).
Para evitar possíveis invasões, a segurança da Presidência da República fechou os três acessos ao Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente. Nem mesmo a circulação de pedestres ou da imprensa é permitida no local neste momento. A última vez que isso ocorreu foi no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando Temer, então vice-presidente, fez a solicitação à segurança.
Até as 10h, foi informada a chegada de 500 ônibus trazendo manifestantes. A PMDF realizou abordagem à 6h na BR-080 (entrada de Brazlândia) em 53 ônibus ligados à CUT, transportando 2 mil pessoas aproximadamente, vindas de Goiânia (GO) e do Pará. Foram recolhidos saco com pedras, cano de PVC, hastes de madeira e um facão.
Na BR-080, a Polícia Militar prendeu quatro homens. Eles foram levados para a sede do Departamento de Polícia Especializada (DPE), ao lado do Parque da Cidade, pois portavam um punhal, canivetes e uma porção de maconha.
Jorge Bastos é diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários da Bahia e encarou 25 horas para vir à manifestação. Ele considera que a Reforma da Previdência é inconcebível. “Essa reforma é nefasta aos trabalhadores. Ainda mais em nossa categoria, que vive em um ambiente de alta periculosidade. Se ela for aprovada, morreremos antes da aposentadoria”, indigna-se.
A Reforma Trabalhista também é alvo de críticas. “Essas mudanças propostas por um governo golpista apenas irão tirar direitos conquistados. Acreditamos que somente a manifestação popular pode impedir essas reformas”, argumenta Ricardo Ferreira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.
Entre as restrições impostas pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal aos manifestantes, está a proibição do uso de hastes de bandeiras, garrafas de vidro, madeiras e outros objetos cortantes ou perfurantes. Haverá ainda revista pessoal nos participantes. Para isso, serão organizados cordões de policiais militares próximos aos ministérios e à Catedral.
Em relação ao trânsito, foram interditados os trechos entre a Rodoviária do Plano Piloto e a via L4 Sul. Os acessos de ministérios e das vias L2 Sul e Norte à Esplanada também ficaram bloqueados. Como alternativa aos motoristas, a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF) recomenda a circulação pelas vias S2 e N2, localizadas atrás dos ministérios.
Escolas
Por conta da manifestação, o horário das aulas na rede pública de ensino do Distrito Federal vai ser reduzido nesta quarta. Tanto os alunos do turno matutino quanto os do vespertino vão ter aula das 7h30 às 10h.
O motivo é uma chamada do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) para que os docentes participem da marcha. A Secretaria de Educação contesta o Sinpro e disse que não existe acordo para a redução de horário do expediente. A pasta afirmou ainda que paralisações podem ocorrer, mas a decisão caberá a cada professor. As escolas que aderirem à paralisação deverão repor o dia letivo.
Policiais civis
O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) também vai participar do movimento contra a Reforma da Previdência (PEC 287/16), a partir das 13h. A concentração será na Praça da Torre de TV e a manifestação seguirá para a Esplanada dos Ministérios.
De acordo com o sindicato, mesmo com mudanças em relação à proposta original do governo federal, a reforma traz grandes prejuízos para a aposentadoria dos trabalhadores, sobretudo a dos policiais civis.
O texto propõe aumento do tempo de contribuição – 15 para 25 anos para mulheres e 20 para 25 anos para homens – e a não integralidade da aposentadoria para policiais em atividade a partir de 2013, o que significa, segundo o Sinpol, cerca de 25% do efetivo da Polícia Civil do DF na ativa.
