Sete dos 8 pré-candidatos ao Buriti ainda não decidiram respectivos vices

Apenas um dos oito pré-candidatos ao Palácio do Buriti definiu o vice na aliança para as eleições de outubro. A dificuldade em eleger um parceiro de chapa para a disputa eleitoral é hoje um dos grandes desafios na formação de coligações. Diante dos obstáculos impostos pelo financiamento público, há quem busque um empresário com capacidade de injetar recursos próprios para turbinar a chapa. Outros políticos investem nos evangélicos, um dos segmentos hoje com maior potencial de atrair votos. Jovens e candidatos ficha-limpa também são valorizados nesse mercado. Mas o fator de maior peso nas negociações ainda é uma commodity antiga e valiosa: o tempo de televisão.
O presidente regional do PSB/DF, Tiago Coelho, conta que “ficaram aprendizados” com relação aos atritos de Rollemberg e o número dois do governo. Segundo o líder partidário, a busca de um vice para o governador na campanha à reeleição envolve a identificação de um “político comprometido com a cidade”. “É preciso que seja representativo de várias causas, e não um corporativista. Não abrimos mão de que seja alguém comprometido com esse governo e com o que ele tem feito, desde o saneamento fiscal até a questão da ética e da transparência. Uma pessoa ficha-limpa e que trabalhe fazendo críticas construtivas e propositivas”, ressalta Tiago.
No PR, também seguem sem desfecho as buscas de um candidato a vice-governador para a chapa de Jofran Frejat. O grupo teve negociações com o PDT, de Joe Valle; com o MDB, de Tadeu Filippelli; com o PSDB, de Izalci Lucas; e com o DEM, de Alberto Fraga. As tratativas, entretanto, seguem sem conclusão, especialmente por causa da dificuldade de decisão no PDT: o partido não sabe se fará coligação com o PR ou com o PSB, de Rollemberg.
O presidente regional do PR, Alexandre Bispo, diz que, apesar da falta de recursos para as campanhas, não está no horizonte buscar um vice do setor produtivo, que contribua financeiramente com a chapa. “O nosso objetivo é ter um vice que tenha identidade com o nosso candidato, o Jofran Frejat. É preciso que seja uma pessoa com interesse em colaborar e em sintonia com o governo para que não haja riscos de ruptura, como a que houve nessa gestão”, diz Alexandre, em menção às brigas entre o governador e Renato Santana.
O que diz a lei
O artigo 92 da Lei Orgânica estabelece que “cabe ao vice-governador substituir o governador em sua ausência ou impedimento e lhe suceder no caso de vaga”. Ainda de acordo com o texto, o vice, entre outras obrigações que lhe forem atribuídas por leis complementares, “auxiliará o governador, sempre que por ele convocado para missões especiais”. A Lei Orgânica define ainda que, em caso de impedimento do governador e do vice, ou de vacância dos respectivos cargos, serão, sucessivamente, chamados ao exercício da chefia do Executivo o presidente da Câmara Legislativa e o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. O dispositivo traz outras regras que devem ser seguidas pelo vice: residir no Distrito Federal e não poder se ausentar do DF por mais de 15 dias sem autorização da Câmara Legislativa — sob pena de perda do cargo. No ato da posse e no término do mandato, o governador e o vice devem apresentar uma declaração pública de bens.
